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Mais convicção

Por Felipe Gustavo em 20/05/2019 03:49:44

Mais convicção

O Operário Ferroviário fez contra a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, o seu melhor jogo na Série B do Campeonato Brasileiro. Disso não restam dúvidas. Ao contrário dos duelos anteriores, o Fantasma teve a posse de bola mais próximo da grande área adversária e obteve a oportunidade de ditar o ritmo da partida em diversos momentos mesmo fora de casa.

O esquema com quatro jogadores na meia-cancha funcionou. Os espaços foram melhor ocupados, houve aproximação e o time passou a ter mais opções de passe para a transição de jogadas. Desta vez, Índio, por exemplo, não ficou tão sobrecarregado precisando desarmar o rival e trabalhar quase ao mesmo tempo na armação de jogadas ofensivas. Mas então o que faltou à equipe?

Eu uso aqui a palavra 'convicção'. E isso vale para diferentes aspectos. A troca de passes com um homem a mais no meio melhorou, mas ainda falta alguma peça ser mais convicta para que encaixe aquele passe que corta a linha de marcação adversária. Basta reparar que as jogadas de maior perigo do Operário aparecem quase sempre pelos lados. É raríssimo vermos aquele passe que coloca um atacante na cara do gol pelo meio da defesa rival, por exemplo. Que falta faz Cleyton.

Porém, talvez nem esse passe adiantasse, pois falta convicção para finalizar. Meter o pé na bola mesmo, estufar as redes. São dois jogos consecutivos sem marcar e em ambos a bola passou na frente do gol. Contra a Ponte chances claras foram desperdiçadas. Não se tira o mérito do goleiro adversário, mas se assume que a convicção para bater na bola poderia ser maior.

A mesma convicção que parece ter faltado ao técnico Gerson Gusmão no esquema com quatro jogadores no meio. Quando Marcelo se desgastou, seria natural que outro meia entrasse na função. Xuxa? Robinho? Mesmo com características distintas dos titulares, os dois seriam opções, mas em Campinas sequer estavam no banco de reservas. Ambos pelo que se sabe (e pouco se sabe dentro de Vila Oficinas) por opção da comissão técnica.

Restou ao treinador voltar ao antigo 4-3-3. Por mais que se justifique que os pontas (Felipe Augusto e Uilliam) façam a recomposição, já fiou claro que as características ofensivas desses jogadores prevalece em relação ao suporte defensivo, principalmente para Uilliam. O Operário então perdeu poderio no meio e o final todo torcedor já sabe.

O momento é de ser mais convicto e perder o 'medo de ser feliz'. Chegou a hora do Operário assumir o papel de quem está numa Série B do Campeonato Brasileiro e quer ao menos permanecer nela por um bom tempo.

* Foto: PontePress

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Felipe Gustavo

FELIPE GUSTAVO

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha como assistente de produção na Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.

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