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Operário x Vila Nova: jogo de nervos e 'xeque-mate' de Gersinho

Por Felipe Gustavo em 10/08/2019 07:39:56

Operário x Vila Nova: jogo de nervos e 'xeque-mate' de Gersinho

Dizem os sábios: 'se não é sofrido, não é Operário'. E foi assim que o Fantasma bateu o Vila Nova por 1 a 0, alcançando a sexta vitória na Série B do Brasileiro. Desde a parada para a Copa América são 14 pontos em 21 disputados. Mas o duelo com o clube goiano teve doses cavalares de sofrimento antes mesmo da partida começar. Em compensação, se não foi dos melhores jogos tecnicamente, teve estratégia e percepção pelo lado alvinegro.

O Operário já ia a campo descaracterizado. Sem o artilheiro Felipe Augusto e com uma dupla ofensiva que não atuou lado a lado nesta Série B: Lucas Batatinha e Schumacher. De quebra dois imprevistos para o técnico Gerson Gusmão: Maílton e André Luiz cortados de última hora. Uma fria!

Maílton é um dos principais (talvez o principal) nome da equipe na competição e daria lugar a um Danilo Baia sem ritmo de jogo. Para o goleiro então a situação é mais delicada. Por mais que ele esteja ali sabendo que a qualquer momento pode ser acionado, Rodrigo Viana chegou há pouquíssimo tempo e teria a missão de transmitir a segurança que André Luiz passou em Criciúma.

Todos esses ingredientes davam a sensação de que o Operário precisaria fazer um jogo de superação. O primeiro tempo mostrou essa necessidade e também mostrou algo a mais. Mesmo com o Fantasma descaracterizado pela ausência de jogadores, o Vila Nova-GO abdicou do ataque, deu a bola aos donos da casa e atuou fechado. Então, a equipe comandada por Gerson Gusmão não precisava de dois volantes.

Confesso que imaginei que Gersinho faria essa mudança ao longo do segundo tempo e que o substituto seria Jean Carlo - atleta que pode fazer a movimentação pelo meio ou pelas pontas. Mas o comandante alvinegro teve ambição. Ainda no intervalo sacou Jardel e colocou o veloz Cléo Silva, dando profundidade às jogadas e uma válvula de escape pela ponta.

Por mais que o gol tenha saído de bola parada, o Operário incomodou efetivamente o Vila Nova-GO no segundo tempo. Teve mais opções para 'girar' o jogo e envolver o adversário.

OS SUSTOS DO RIVAL

Era previsível que, após sofrer o gol, o Vila Nova partiria para cima. O time goiano se aproveitou da falta de ritmo do Alvinegro. Jogadores como Danilo Baia, Lucas Batatinha, Schumacher e o próprio Cléo Silva vinham sem sequência na temporada. De quebra havia uma encruzilhada: recompor o time com dois volantes?

Gersinho esperou até o limite. E, diferente daquela partida contra o São Bento - quando foi criticado ao colocar o zagueiro Alisson nos minutos finais - o treinador do Fantasma fez o que parecia mais sensato pelo cenário apresentado. Retirou um dos atacantes e acionou o volante Chicão.

É importante frisar que naquele momento decisivo o Operário estava 'entre as cordas' e sem poder de marcação. Os meio-campistas como Marcelo e Cleyton, por exemplo, lutavam, mas não tinham o mesmo poder de preencher espaços da marcação. Vez ou outra apareciam 'vazios' em que o Vila Nova trabalhava a bola e assustava os donos da casa. Foi assim até o apito final e o alívio de todos em Ponta Grossa.

ARBITRAGEM

Não estamos aqui para falar se o árbitro é ruim ou bom, pois pode ter sido apenas uma noite infeliz de Andrey da Silva e Silva, do Pará. Foi uma arbitragem insegura, que deixou o jogo mais tenso do que seria. Faltas claras não marcadas, inversão da posse de bola em saídas pela lateral, confusão ao dar cartão amarelo. Um prato cheio de falhas. É preciso qualificar e profissionalizar os homens do apito em nosso país. O futebol clama por isso.

* Foto: José Tramontin/OFEC

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Felipe Gustavo

FELIPE GUSTAVO

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha como assistente de produção na Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.

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