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Um 0 a 0 que deu gosto de ver

Por Felipe Gustavo em 31/08/2019 23:07:38

Um 0 a 0 que deu gosto de  ver

Não foi um espetáculo, mas não precisava ser. O empate sem gols entre Operário e América-MG teve movimentação, teve volume ofensivo das duas equipes, jogadas rápidas, momentos pegados... ou seja, teve ação. Foi futebol. Não foi daqueles '0 a 0' chatos de ver com os times abdicando do ataque.

A análise é ainda mais otimista do ponto de vista do Fantasma. Ouso afirmar que foi o melhor desempenho da equipe como visitante em toda a temporada. Talvez bata de perto da estreia no Paranaense contra o Paraná, mas lá na Vila Capanema o time foi salvo por Simão em diferentes oportunidades. Hoje nenhuma bola do Coelho foi em direção ao gol de Rodrigo Viana.

O torcedor alvinegro teve a chance de ver neste sábado um time mais próximo daquele da Série C, que fora de casa conseguia propor e ditar o ritmo da partida. É um fator que em geral confunde e envolve o adversário. Com 10 minutos jogados, os visitantes acumulavam quatro finalizações e mais de 60% de posse.

O que faltou foi uma presença mais agressiva dos atacantes na primeira etapa. Lucas Batatinha desperdiçou a oportunidade mais clara e Felipe Augusto teve uma apresentação mais discreta se comparada com as rodadas anteriores. O artilheiro da equipe apareceu mais pelos lados do que na direção da grande área.

O ponto mais positivo nos 90 minutos veio da concentração dos jogadores. O time teve sintonia para se movimentar e para se recompor no sistema defensivo, permitindo raras chances claras de gol ao rival. O poder de ação e reação dos atletas também estava em dia. Sabe quando um jogador demora para correr em uma dividida por exemplo? Contra o América-MG estas 'distrações' foram reduzidas, principalmente da dupla de volantes e dos zagueiros - sempre 'mordendo' o rival. Allan Vieira foi outro que cresceu. Seria injusto não citar o nome dele.

O rendimento da equipe caiu na volta do intervalo, mas era previsível. O América-MG não permitiria que o visitante mandasse no seu campo durante os 90 minutos. Precisava reagir. Outra questão é que a palavra 'desgaste' ainda faz parte da rotina alvinegra. O desempenho físico cai e leva junto o rendimento técnico.

Foi perceptível que o técnico Gerson Gusmão esperou para iniciar as substituições no segundo tempo. Primeiro ele precisa analisar quem, após a sequência de jogos, aguentaria os 90 minutos. O meia Marcelo, por exemplo, fez um jogo intenso, mas o cenário limita que ele permaneça no gramado até o apito final. O mesmo foi acontecendo com Felipe Augusto perto do fim.

Independente da falta de gols neste sábado, o jogo esboça boas perspectivas para a sequência do Operário na Série B. Há uma chance grande de que Vila Oficinas possa namorar por mais tempo com o 'G4'.

Foto: Mourão Panda/América-MG

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Felipe Gustavo

FELIPE GUSTAVO

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha como assistente de produção na Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.

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