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O que deu errado em Recife?

Por Felipe Gustavo em 30/09/2019 22:27:57

O que deu errado em Recife?

Perder para o Sport na Ilha do Retiro não é um absurdo. Há um caminhão de diferença em relação a investimento e experiência entre o clube pernambucano e o Operário Ferroviário. Mas novamente (assim como nos confrontos contra Atlético-GO e Bragantino) incomoda a forma como a derrota vem. Desta vez, o Fantasma teve um homem a mais desde o 24º minuto do segundo tempo. Foi nesse momento que a equipe alvinegra chegou ao empate e que também passou a atuar pior do que o adversário.

A surpresa veio logo na escalação. Não pelos três atacantes, mas pelos nomes escolhidos. Gersinho optou por Cléo Silva, deixando Lucas Batatinha no banco de reservas. A justificativa? Cléo teria mais força para acompanhar as subidas do lateral Sander e também apoiar o ataque.

Não deu certo. Foi justamente Sander que apareceu livre e deu o passe para Hernane Brocador marcar o primeiro dos donos da casa. Preterido em Recife, Batatinha é o segundo jogador que mais participou de gols do Operário na temporada 2019 (seja com assistências ou bolas na rede). Além disso, ele formou um bom trio de ataque ao lado de Felipe Alves e Felipe Augusto no segundo tempo da partida contra a Ponte Preta, por exemplo.

A formação escolhida por Gersinho para iniciar a partida ficou muito próxima da escolhida no início irregular da Série B: um meia, dois jogadores de lado e um atacante centralizado. Não é o ideal pelo que o Operário já apresentou neste ano.

O Fantasma acabou perdendo o apoio de Maílton, que não encontrou em Cléo Silva e em Felipe Augusto (quando mudou de lado) um suporte para as jogadas ofensivas. O jogador que mais trocou passes com o lateral direito acabou sendo o zagueiro Lázaro. A própria ausência de Cleyton também não permitiu esse apoio.

Os números mostram bem isso. O Operário teve 27% de posse do meio para o ataque no lado esquerdo. Na direita esse número foi de 22%, sendo 14% na intermediária e somente 8% no campo ofensivo. Ainda nas estatísticas, Maílton foi o segundo jogador com mais posse de bola no Fantasma - atrás apenas de Jardel. Fica evidente que ele até foi acionado, mas não localizou opção de tabela pelo setor.

No segundo tempo a equipe comandada por Gersinho melhorou justamente a partir da entrada de Lucas Batatinha. O atacante colocou uma bola no travessão e deu o passe que culminou no pênalti sofrido por Marcelo.

A partir desse momento, com um homem a mais no gramado, ficou evidente que falta material humano para a comissão técnica em relação a características de jogo. Julinho pediu para sair. Gersinho optou por 'fechar a casinha' com Peixoto e foi castigado em poucos segundos; era o segundo gol do Sport.

Sem poder mexer, o comandante alvinegro ficou de mãos atadas e viu o Fantasma jogar pior mesmo com vantagem numérica em campo. Até questiono se Gersinho não poderia ter sido mais ousado a partir do momento em que o Sport perdeu um jogador. Seria uma opção bem válida, mas as alternativas do grupo também não ajudavam a cobrir o lado esquerdo.

É difícil engolir uma derrota quando se tem um atleta a mais no gramado, mas ficou claro que o 'leque' de Guto Ferreira é mais vasto.

DIREITA DEFICITÁRIA

Outros números do jogo mostram o quanto o lado direito do Operário não conseguiu fluir em Recife. O volante Jardel foi o jogador que mais sofreu faltas; enquanto Maílton, que geralmente é o que mais sofre, foi o que mais cometeu infrações na Ilha do Retiro.

Jogadores do Fantasma que mais perderam a posse de bola: Maílton (8 vezes) e Cléo Silva (6 vezes). Ambos atuaram a maior parte do tempo pelo lado direito. Coincidência?

Foto: Assessoria Sport Recife

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Felipe Gustavo

FELIPE GUSTAVO

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha como assistente de produção na Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.

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