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Operário repete sintomas

Por Felipe Gustavo em 06/10/2019 00:00:18

Operário repete sintomas

O primeiro tempo do Operário contra o Brasil de Pelotas foi quase perfeito. O Fantasma envolveu o adversário, ditou o ritmo e terminou a etapa inicial com 62% de posse, nove finalizações e mais de 200 passes trocados. Não foram 45 minutos ideais por uma razão que se repete dentro de casa: o não aproveitamento das oportunidades claras de gol. Foram pelo menos duas desperdiçadas por Felipe Augusto, o que permitiria uma vantagem maior no placar. Isso inclusive explica o saldo de -7 na Série B após 26 jogos.

Mas não foi só o ataque que apresentou falhas recorrentes. Ninguém sabe o que o Operário treina exatamente ao longo da semana. Por uma opção da comissão técnica, as principais atividades são fechadas.

Ou seja, não dá para afirmar que a equipe está preparada defensivamente na bola parada. Se os treinos específicos estão ocorrendo, eles não estão sendo assimilados. Os três gols sofridos pelo Operário contra o Brasil de Pelotas (turno e returno) foram em jogadas alçadas na área. Até o técnico Bolívar, do Brasil-RS, falou após a partida que sabia da fragilidade alvinegra neste fundamento.

E não foi só diante dos gaúchos. Foi contra o Sport, Botafogo-SP, Oeste...

Outra questão que chama a atenção: os minutos finais das últimas partidas do Operário são 'arrastados'. Esse foi o cenário no compromisso com o Brasil (RS) e da mesma maneira ocorreu na Ilha do Retiro. O pior é que em Recife eram 11 contra 10, o que permitiria uma imposição, mas não foi o que se traduziu em campo.

Já diante dos gaúchos houve uma mistura de fatores: o desgaste, o 'desespero' por ver a vitória escorrer entre os braços e a mudança tática com as alterações desorganizaram o Fantasma. Ao invés de ser efetivamente ofensiva, a equipe passou a alçar bolas na área do adversário sem representar perigo. As infiltrações e finalizações foram desaparecendo.

MATEMÁTICA

Mesmo com a derrota em casa, o Operário ainda pode sonhar com algo a mais na Série B, mas precisará mudar a postura como visitante na reta final. Defendo a ideia de que os clubes conquistam o acesso sobre aquelas equipes que mostram um desempenho inferior e irregular ao longo da competição.

Não é com o Bragantino, por exemplo, que o Fantasma pode perder a chance de acesso. O acesso fica distante a partir do momento em que se perde cinco pontos para o Oeste, seis para o Brasil (RS) - tropeços cruciais para o resultado final da competição.

Foto: João Vitor Rezende

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Felipe Gustavo

FELIPE GUSTAVO

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha como assistente de produção na Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.

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