O Operário Ferroviário acerta em manter o técnico Gerson Gusmão para 2020

O Operário Ferroviário acerta em manter o técnico Gerson Gusmão para 2020

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O atual cenário indica que o Operário Ferroviário Esporte Clube terá Gerson Gusmão como seu treinador em 2020. Diretores e o treinador já apontaram nos últimos dias a convergência para o fico. Sendo assim, o Fantasma dá um tiro certo por diversos fatores. Mas, isso não significa que alguns temas não precisam ser revistos.

A sintonia entre treinador e diretoria é um ponto positivo – e negativo em alguns casos também, mas abordarei isto abaixo. A confiança e estabilidade evitam repercussões negativas desnecessárias, sem aquela “sombra” de outros técnicos no radar. Além disso, evita a fadiga do disparo de declarações dissidentes que acompanhamos em muitos clubes brasileiros, quando o dirigente diz uma coisa e o técnico diz outra.

Falando em outros técnicos, o atual nível do mercado nacional é mais um motivo para que Gersinho continue em Ponta Grossa. 11 a cada 10 técnicos reclamam da falta de tempo para aprimorarem suas equipes. Quando tiveram essa oportunidade durante a parada da Copa América, a maioria pouco fez. Isso sem contar os altos salários e multas de rescisões caríssimas.

O comando do elenco também é um ponto positivo. Mesmo com um protecionismo exagerado em certas vezes, o andamento da equipe nos últimos três anos e meio demonstra que a hierarquia tem sido respeitada. Não a toa é o comandante mais longevo do país.

Ah, e não preciso falar do currículo. As conquistas que Gerson já teve até agora são indiscutíveis. Ainda que a chance de acesso esteja presente, mesmo que de forma remota, outras equipes estão a frente do Operário por reunirem mais condições técnicas, financeiras e por terem mais ‘casca’ de competições desse nível. Por mais que se cobre ousadia em alguns momentos (e com razão), o alvinegro tem uma campanha digna e tranquila nesta Série B.

Nem tudo são flores. Mesmo que a continuidade seja o melhor caminho, certas coisas merecem atenção para serem alteradas e falo algumas delas abaixo.

MAS… – Parte 1
Dentro das quatro linhas, ressalto duas questões que me incomodam neste período. O bocado de teimosia que Gerson Gusmão demonstra em alguns momentos atormenta parte da torcida. Os casos de Rafinha no Paranaense e Bruno Batata na Série B chamam a atenção. A ideia de “dar sequência” não é ruim, mas precisa ser moderada e aprimorada.

Ainda considerando que Gusmão está em seu segundo trabalho e prestes a iniciar sua quinta temporada como treinador, espero ver uma maior variação tática a partir de sua permanência em Vila Oficinas. O comandante construiu lastro suficiente para ser mais ousado em alguns momentos, auto questionar algumas de suas convicções de jogo, principalmente para furar defesas mais fechadas.

O calendário de 2020 prevê pausas durante as Datas FIFA até mesmo na segunda divisão nacional. Tempo para testar novas formações. Três zagueiros? Três volantes? 4-1-4-1? Menos cruzamentos? Diversas possibilidades. Além disso, uma confiança maior no plantel que ele mesmo tem montado seria importante em alguns momentos.

Muito se cobrou durante a Série B uma postura mais “arrojada” nos jogos longe do Germano Krüger. Entendo que o desempenho nas partidas fora de casa melhorou no segundo turno, talvez, a partir de um amadurecimento e entendimento da comissão técnica sobre as circunstâncias da competição. Mesmo assim, a exigência é justa neste caso, principalmente pelas noites tenebrosas de Bragança Paulista e Goiânia nas duas goleadas sofridas na competição.

MAS… – Parte 2
Alguns pontos para além do campo e bola também devem ser reavaliados neste processo. Ponto positivo da equipe nas Séries D e C, a preparação física da equipe nesta temporada tem de ser questionada. Além das diversas lesões musculares durante o ano, algumas delas com os mesmos nomes por mais de uma vez no ano, os atletas têm demonstrado esgotamento na reta final das partidas.

A partir da entrevista do diretor de futebol alvinegro, Carlinhos Albuquerque, na última quinta-feira, cito outros poréns. “Nos outros anos, tínhamos um grupo grande de 15 a 18 jogadores com contratos longos, aos poucos nós fomos nos moldando. São coisas que vamos fazendo e pela percepção que vamos tendo, alteramos isso. Temos oito com contrato, e três até o fim do Paranaense. Estamos planejando mas é um momento importante em campo”, afirmou o dirigente.

Bruno Batata e Jean Carlo estão com vínculos garantidos até o fim do Paranaense; Eduardo, Fábio, Felipe Alves, Gelson, Robinho e o próprio técnico Gerson Gusmão têm contrato até o final do próximo ano. Dos citados, apenas Fábio não pôde provar sua capacidade por conta de uma lesão no pé. Os outros nomes assumiram papéis de coadjuvantes no atual elenco e não tem atuado com frequência nesta Série B.

“O Gersinho, como é o diretor do departamento, escolhe com quem quer trabalhar. No momento, nossa forma de gestão é dessa maneira”, disse Carlinhos. Todavia, existe a necessidade de uma cobrança maior, principalmente na estratégia para contratações e na opção por ter um elenco mais inchado nesta temporada. Manter a base é um mérito, no entanto, também é necessário uma avaliação mais criteriosa em alguns casos, para definir quem fica e quem chega.

Por fim, apenas para registro, a necessidade de omitir informações com frequência tem se mostrado cada vez mais desnecessária. Informar corretamente, abrir a casa, permitir mais entrevistas é um serviço não para imprensa, e sim ao torcedor.

RESUMO DA ÓPERA
Talvez você tenha se impressionado com a maior parte do texto com pontos negativos se referindo a uma permanência. Afinal, os pontos positivos são mais evidentes, principalmente aos que não acompanham o clube tão de perto. As boas campanhas, os títulos dos últimos anos, o desempenho dentro do Germano Krüger, o comando do elenco e a administração financeira são as principais conquistas do atual treinador (e gestor) do Operário Ferroviário.

Mas, para buscar o passo a frente, a evolução nestes pontos é necessária. 2020 pode ser um ano de consolidação para Gerson Luiz Gusmão provar que está em ascensão e colocar seu nome entre os treinadores de primeiro nível do mercado nacional.

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João Vitor Rezende

João Vitor Rezende

Jornalista formado pela UEPG em 2017, foi repórter de Cotidiano e Esportes do Jornal da Manhã e acompanha o Operário desde 2016. Trabalhou na assessoria de imprensa do Keima Futsal e do Ponta Grossa Caramuru Vôlei. Trabalha como fotógrafo na AGIF. É repórter e apresentador no Net Esporte Clube.

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