Os desafios do relacionamento a distância com o time do coração

Os desafios do relacionamento a distância com o time do coração

Torcedores do Operário que moram em Curitiba durante jogo contra o Coxa no Couto - Foto: Arquivo Pessoal

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Quem sabe você não entenda a dificuldade que é morar longe de alguém que você ama. Só quem já teve um relacionamento a distância sabe o quanto de empenho, de dinheiro e de sentimento tem que haver pra que esse relacionamento dure. 

Moro há cinco anos em Curitiba. Cinco anos longe do Fantasma. Cinco anos que todo jogo “em casa” eu tenho que me programar pra ir para Ponta Grossa, pagar pedágio, gasolina, rodar 220km. Às vezes é bate e volta só pra ver o jogo. Não é fácil, mas são os ônus de morar longe do time do coração.

E sempre que o jogo é na capital, tudo fica mais fácil. Não precisar viajar é um alívio para os torcedores do Fantasma que residem em Curitiba. É como se a gente pudesse ir pra Ponta Grossa sem sair da capital. Rever os conhecidos, ouvir o sotaque tão característico, os “xingamentos” tão nossos, as músicas da Trem Fantasma. São bons momentos, e nos sentimos em casa!

Na última quarta-feira não foi diferente rotina. Do trabalho, ir pra casa, trocar de roupa, colocar a camisa e subir ao Alto da Glória. Mas algo estava diferente, não sei se foi a chuva torrencial que caiu pouco antes do jogo, mas o clima não era bom. O jogo estava mais truncado, a bola não entrava, os jogadores nem sequer chutavam ao gol e tudo estava esquisito.

A arbitragem “caseira” prejudicava o jogo. Com a expulsão do nosso zagueiro, o pior aconteceu: Coxa abriu o placar. Nessa hora vem aquele sentimento de ódio, de raiva, vontade de ir embora, de xingar até a vigésima geração do árbitro.

No intervalo era visível o descontentamento da torcida operariana, o time estava “morto”, a arbitragem não ajudava, nada dava certo. Começou o segundo tempo e tudo permaneceu como estava, Coritiba pressionando e o OFEC defendendo. 

Até que Gersinho mexeu de maneira mais ousada do que o habitual, colocou Cleyton e o estreante Aguada, e o time mudou, começou a criar um pouco mais e foi aí que aos 41’ do segundo tempo, em um escanteio curto, a bola foi levantada na cabeça de Coutinho, que empatou a partida.

A torcida comemorou como se fosse o título de 2015, todo mundo se abraçando e gritando, aquele momento mágico que só o futebol te proporciona.

O árbitro apita, um empate, com gosto de vitória! A torcida que viajou pra ver o jogo foi embora mais aliviada, e a gente que mora aqui vai pra casa sabendo que poderemos zoar os coxas no trabalho no dia seguinte, já que empatar fora, com um jogador a menos, é sim motivo de comemoração.

Mas, quem fica em Curitiba, fica com um pouco do vazio de ter que se despedir do time, dos amigos de arquibancada e mantém uma pontinha de tristeza de ver ir embora uma parte nossa.

A distância é ruim, mas cada reencontro é sempre bom, seja aqui, seja em Ponta Grossa, seja no Recife. Te sigo onde for!

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Kamila Padilha

Kamila Padilha

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, advogada, ponta-grossense sócia de um escritório de advocacia na cidade de Curitiba, apaixonada por esportes e torcedora operariana. No Net Esporte Clube traz uma visão de torcedora, relembrando histórias e causos da arquibancada.