Matemática para o Ponta Grossa Vôlei ficar na elite é vencer ou vencer

Matemática para o Ponta Grossa Vôlei ficar na elite é vencer ou vencer

Registro de jogo do Ponta Grossa Vôlei pela Superliga na Arena Multiuso - Foto: João Vitor Rezende

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Quando uma competição de futebol que possui acesso e descenso inicia, exemplo do Campeonato Brasileiro, uma das primeiras matemáticas que as equipes fazem, especialmente as de menor investimento, é a seguinte: quantos pontos eu preciso para escapar do rebaixamento? Nas Séries A e B do ‘Brasileirão’ se fala muito nos tais 45 pontos, que seria um número que garantiria um clube fora da zona de quatro equipes que caem de divisão.

Digamos que o Ponta Grossa Vôlei deve ter feito essa pergunta a si próprio quando começou a jornada na Superliga 2019/2020. Com o time montado as pressas, para substituir o desistente Botafogo (RJ), não restava muito ao time de Fábio Sampaio a não ser buscar a permanência na elite do vôlei brasileiro com todas as suas forças. Passadas 14 rodadas, a situação ponta-grossense é, no mínimo, dramática.

Com apenas uma vitória sobre o Vôlei Itapetininga, por 3 sets a 2, e uma derrota pelo mesmo placar contra o Vôlei Ribeirão, o PG Vôlei amarga a lanterna da Superliga com três pontos e está distante oito do time de Ribeirão Preto (SP), 10º colocado e primeiro time fora da zona de rebaixamento à Superliga B. Curiosamente, o próximo adversário do elenco de Ponta Grossa é justamente o Ribeirão, nesta quarta-feira (05), fora de casa.

Pensando nisso, fiz uma rápida pesquisa sobre os próximos duelos do Ponta Grossa Vôlei e a pontuação necessária para a equipe se livrar do descenso, usando como referência a classificação das últimas cinco edições da Superliga – em todas as temporadas pequisadas, as equipes jogaram 22 partidas na fase de classificação.

Se usarmos como referência a pontuação do 11º colocado, a primeira equipe que cai de divisão na Superliga, em quatro das cinco temporadas a ‘salvação’ seria viável com 16 pontos: apenas na temporada 2015/2016, onde o penúltimo colocado foi o Maringá (21 pontos), esta pontuação não seria suficiente. Pensando nisso, o Ponta Grossa Vôlei teria de marcar mais 13 pontos nas oito partidas que restam até o final da 1ª fase da Superliga.

Levando em consideração a situação das equipes na classificação e o fator casa, os ponta-grossenses poderiam chegar a esta pontuação vencendo América-MG, Maringá e o Minas Tênis Clube por 3x0 ou 3x1, ambos na Arena Multiuso, e ainda beliscar vitórias fora de casa contra Ribeirão e Itapetininga, principalmente pelo fato de serem adversários diretos, pelo menos por 3x2. Ainda restariam três partidas, contra Vôlei Renata/Campinas (fora), Cruzeiro e Sesc Rio (em casa), onde buscar pontos, pensando na disparidade financeira entre as equipes, é uma missão quase impossível.

Porém, outro fator precisa ser levado em consideração: em três das cinco temporadas que pesquisei, o 10º colocado marcou 19 pontos, ou seja, ai sim temos uma pontuação que praticamente asseguraria o time dos Campos Gerais na elite em 2020/2021: neste cenário, além das vitórias citadas no parágrafo anterior, os ponta-grossenses teriam que buscar mais três pontos (ou vencendo mais jogos por 3x0/3x1 ou pontuando contra os ‘gigantes’ do torneio).

Alento aos penúltimos

Claro que estamos na torcida para que Ponta Grossa consiga a pontuação necessária para terminar ao menos no 10º lugar na Superliga, mas até o mais animado torcedor de vôlei sabe que a tarefa é das mais árduas. Por isso, trazemos uma boa notícia: em quatro das últimas cinco temporadas, penúltimo ou último colocados foram alçados de volta para a Superliga após o rebaixamento na temporada anterior. No caso do penúltimo colocado, inclusive, isso só não ocorreu na temporada 2014/2015; o próprio Ponta Grossa (ainda com o nome de Caramuru) se beneficiou de desistências e foi convidado para retornar ao torneio nesta temporada e também na temporada 2017/2018, quando foi o vice-campeão de uma repescagem promovida pela CBV com os rebaixados da temporada 2016/2017 e duas equipes da Superliga B.

Pensando nisso, o jogo chave para sair da última colocação é neste sábado (08), quando o Ponta Grossa Vôlei recebe o penúltimo colocado América-MG, que tem sete pontos. Uma vitória por 3x0 ou 3x1, que dá três pontos ao vencedor e nenhum ao perdedor, é fundamental para recolocar os paranaenses na disputa. E se pensarmos na crise financeira que algumas das equipes da Superliga passam nesta temporada, desistências para a temporada 2020/2021 são bem possíveis. Um grande abraço e até semana que vem!

Pontuações dos três últimos colocados da Superliga nos últimos anos:

2018/2019 – Ribeirão (19), Caramuru (15) e São Judas/SBC (6)

2017/2018 – Caramuru (19), Maringá (10) e JF Vôlei (8)

2016/2017 – Maringá (19), São Bernardo (12) e Caramuru (5)

2015/2016 – Novo Hamburgo (26), Maringá (21) e UFJF (10)

2014/2015 – Novo Hamburgo (25), SJ dos Campos (11) e São Bernardo (5)

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Sebastião Neto

Sebastião Neto

Jornalista formado pela UEPG em 2012, trabalhou como repórter em diversas editorias do Jornal Diário dos Campos e também na equipe de esportes da Rádio CBN Ponta Grossa. Coordenou a assessoria de comunicação da Liga de Futsal dos Campos Gerais e criou o blog FutsalDaqui, especializado na cobertura da modalidade na região. Hoje, trabalha na área de assessoria de imprensa e é colunista do Net Esporte Clube.