Gersinho não entra em campo, mas é quem define o que se faz lá dentro

Gersinho não entra em campo, mas é quem define o que se faz lá dentro

OFEC foi dominado pelo América e perdeu por 2 a 0 no Estádio Germano Krüger - Foto: João Vitor Rezend

A torcida gritou 'fora, gersinho' como nunca antes se ouviu no Estádio Germano Krüger. A última grande crise que assolou a rotina do Fantasma foi lá em 2017, quando o time não conseguiu o acesso para a primeira divisão do Campeonato Paranaense. Porém, nem naquela época houve pressão igual a de agora para a saída do técnico Gerson Gusmão.

Pressão essa que parece não ser sentida como se devia. A entrevista coletiva do treinador foi pautada pelo discurso comum. Lamento pela derrota, promessa de empenho e foco no jogo seguinte contra o Toledo, equipe que se esforça para não cair no frágil Campeonato Paranaense.

Gersinho começou com a frase que mais soa como uma poderação obrigatória . "A culpa maior sempre é o treinador", disse. Já ao repórter Dudu Guimarães, da Rádio Difusora, o presidente do Grupo Gestor, Álvaro Góes, disse que "Gerson não é o culpado, ele não entra no jogo". Voltando à coletiva, o treinador, ao ser questionado sobre a indignação da torcida, deu a entender que haverá intervenções, mais uma vez sem detalhes. "Talvez passe por mudanças de jogadores, pela forma de jogar".   

"Infelizmente alguns jogadores não deram a resposta que imaginávamos e o adversário foi superior. Tentamos buscar uma reação em alguns momentos, até de forma desorganizada, porque o atleta às vezes perde a concentração e tenta fazer as coisas com pressa" Gerson Gusmão, em coletiva

Não é de hoje que a responsabilidade de derrotas recai de forma desproporcionadamente maior para o elenco, tanto no discurso do técnico quanto dos dirigentes. Se a cobrança interna é forte, não se sabe, já que isso é questão, obviamente, interna. Só que geralmente se faz o contrário: ameniza para o grupo e o cobra com intensidade no vestiário e em treinamentos. Da forma como tudo vem sendo feito é uma exposição desnecessária, principalmente quando o que se vê é um time atuando de forma desorganizada.

No jogo contra o Athletico já foi assim, contra o América-MG ainda pior. O time não consegue trocar passes envolventes em sequência. Não há tabelas e triangulações, tampouco movimentação para que jogadores ocupem espaços vazios e criem jogadas. Quando algum recebe a bola pela lateral, ninguém se aproxima. Foi assim no lance em que o meia Cleyton perdeu a posse contra o Furacão e o time tomou o gol. Ele apareceu livre pela direita e ninguém se apresentou para trabalhar a jogada: os três atacantes correram para a área, e os volantes e o lateral ficaram na defesa, sequer deram opção.

E não foi um lance isolado naquela partida e contra o América aconteceu tudo de novo praticamente em todo ataque. Isso quando a bola não era rifada para Jefinho fazer mágica

Se não é questão tática, de treinamento, o Operário só pode ter contratado um monte de jogador rebelde. Será? 

Gersinho pode até não entrar em campo, mas quem define o que o time vai fazer lá dentro é ele.

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Emmanuel Fornazari

Emmanuel Fornazari

Jornalista formado pela UEPG em 2010, foi repórter de esportes e política do Jornal da Manhã de Ponta Grossa, no Paraná. Foi produtor, âncora e colunista da Rádio Sant''Ana, editor-chefe do programa esportivo Show de Bola do SBT e comentarista esportivo do programa Esporte Emoção, da TV Educativa. Atualmente, além de diretor geral do Net Esporte Clube, é editor de texto na Rede Massa/TV Guará/SBT.