Ministério se contradiz em parecer ao estimular volta do futebol

Ministério se contradiz em parecer ao estimular volta do futebol

Aval precoce da autoridade federal de Saúde é repleto de pontos contrastantes - Foto: João Vitor Rezende

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-  “O futebol é uma atividade esportiva relevante no contexto brasileiro e que sua retomada pode contribuir para as medidas de redução do deslocamento social através da teletransmissão dos jogos para domicílio”.

- “Cabe ressaltar que no momento, a disponibilização de testes rápidos no sistema de saúde encontra-se saturada diante das necessidades da população brasileira”.

- “O Ministério da Saúde ressalta a importância de apresentação de um plano estratégico geral detalhado”.

- “Este Ministério da Saúde é favorável ao retorno das atividades do futebol brasileiro, desde que atendidas todas as medidas apresentadas neste parecer”.

Pode acreditar, leitor. Todas essas frases que se contradizem entre si são de um mesmo parecer emitido pelo Ministério da Saúde e divulgado pelo Globoesporte.com. A briga de aspas também continua entre as principais autoridades do país.

“Ninguém está pensando em relaxamento”, diz o Ministro Nelson Teich, que vem demonstrando preocupação diária com a crescente de mortes causadas pela pandemia no país.

Por outro lado, a declaração do presidente: “No momento, existe já muita gente que entende, que está no meio futebolístico, que é favorável à volta porque o desemprego está batendo à porta dos clubes também. Com essa idade jovem, o jogador, ele dificilmente, caso ele seja acometido do vírus, a chance de ele partir para a letalidade é infinitamente pequena. Até pelo estado físico, pela higidez que tem esse atleta. Agora, eles têm que sobreviver”, afirmou Jair Bolsonaro.

Os jogadores podem realmente ter condições saudáveis a ponto de não sentirem a gravidade que a doença pode causar ou podem até serem assintomáticos – e é aí que mora o problema. Se um jogador contrai o vírus de um adversário em campo, pode contagiar as 30 pessoas de sua equipe, que podem contaminar as pessoas que convivem e assim a cadeia sequencial de casos está formada. Além disso, a chance pode ser pequena, mas existe.

Quem assumirá esse risco? Como teremos futebol enquanto enterramos milhares de vítimas causadas pelo COVID-19? Como teremos bola rolando em alguns estádios e hospitais de campanha em outros? Há 20 dias, escrevi aqui no site sobre a evidente ignorância do futebol em relação ao seu contexto social, quadro que cada vez mais se confirma.

Se antes a ideia era de criar uma ‘bolha’ para isolar os envolvidos e diminuir o risco, agora quer se criar a ‘bolha’ para fugirmos da realidade que se impõe de forma crescente a cada dia. Parece surreal discutirmos a exposição de trabalhadores de serviços não-essenciais neste contexto tão grave que vivemos em pleno 1º de maio.

Postura
Alguns clubes têm dado maus exemplos neste momento. Flamengo e Corinthians cortaram cargos e renda dos funcionários, sem mexer na remuneração dos atletas. Coritiba ameaçou ir no mesmo caminho, mas voltou atrás. Neste gerenciamento, o Operário Ferroviário dá aula a estes péssimos casos. Mesmo com as perdas, ainda avalia se fará cortes salariais aos atletas e, até agora, não se cogitou publicamente reduzir o rendimento dos seus funcionários. Atitude exemplar.

Aniversário
Por fim, o 1º de maio é comemorado pelo Fantasma como marco de mais um ano de história. Parabéns ao Operário Ferroviário Esporte Clube por seus 108 anos! Veja mais sobre a história do clube de Vila Oficinas em reportagem do NEC, clicando aqui.

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João Vitor Rezende

João Vitor Rezende

Jornalista formado pela UEPG em 2017, foi repórter de Cotidiano e Esportes do Jornal da Manhã e acompanha o Operário desde 2016. Trabalhou na assessoria de imprensa do Keima Futsal e do Ponta Grossa Caramuru Vôlei. Trabalha como fotógrafo na AGIF. É repórter e apresentador no Net Esporte Clube.