A falta do abraço no Germano Krüger

A falta do abraço no Germano Krüger

A explosão na comemoração do gol é sempre seguida por uma série de abraços - Foto: Kamila Padilha

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Na sexta-feira passada, 22 de maio, foi comemorado o Dia do Abraço. O ato de abraçar… Você cruza os braços em volta de alguém e conecta seu coração com o dessa pessoa, ainda que por um breve momento. Uma ação tão simples, mas que significa tanto, não é mesmo?

Se você já assistiu algum jogo em estádio, com certeza você já abraçou algum desconhecido na hora do gol, certo? Isso me fez pensar em quantos abraços eu já dei em pessoas com as quais, possivelmente, eu jamais teria contato se não fosse o futebol. Contato que agora precisamos evitar, para não correr riscos nessa pandemia. Uma época estranha esta que vivemos, quando abraços e aproximações só são permitidos com as pessoas que temos convívio diário. Sendo que antes abraçávamos desconhecidos, no estádio.

Além disso, por causa da pandemia e do isolamento social que faz todo mundo ficar em casa, o futebol também precisou parar. Com razão, claro. O único campeonato de futebol que já pode voltar é o alemão. E sabem qual é a orientação por lá? NADA DE ABRAÇOS nas comemorações e nada de aglomerações desnecessárias. Isso, além de inúmeras outras orientações de segurança, como isolamento dos atletas, uso de máscaras fora de campo.

Assisti a alguns jogos a Bundesliga nesse novo modelo de futebol e, bom... Não que os alemães sejam muito dados ao contato físico, mas, sinceramente, o futebol sem abraço não tem a mesma graça. Foi nesse momento que eu percebi a importância desse ato tão simples no universo do futebol.

Futebol é abraço!

Dentro de campo, ao comemorar um gol, o abraço se transforma em um amontoado de jogadores, um caindo sobre o outro. O abraço fora de campo, quando você é tomado por uma alegria tão grande, que se joga nos braços dos amigos e até de desconhecidos, todos unidos pela mesma paixão. Quando o autor do gol ou a estrela do jogo vai até a torcida e são agarrados por ela, isso é futebol. O ápice dos 90 minutos são esses momentos, que duram segundos, talvez, em que todos se unem à mesma emoção, por meio dos abraços.

Esse ano será atípico para todos nós. Temos campeonatos ainda não finalizados e outros nem iniciados, mas a certeza que temos é que, quando tudo voltar, a torcida não estará presente nos estádios. As comemorações serão comedidas e solitárias. Sentiremos falta das aglomerações ao redor dos estádios, de rever os amigos da arquibancada, de subir nos alambrados e de abraçar qualquer ser humano que esteja ao nosso lado na hora do gol.

Lembro-me que, na hora do gol do Schumacher contra o Santa Cruz — aquele que garantiu nosso acesso à Série B — um grande amigo meu, Jonathan, me deu um abraço tão apertado que eu caí quando ele me soltou. Eu acabei me machucando, obviamente, mas esse abraço e aquele golaço estarão eternizados para sempre em minha memória.

Essas lembranças fazem com que eu me questione: quando poderei acompanhar novamente, com segurança, o nosso Fantasma? Quando poderei abraçar o Jonathan, a Sophia, o Fer e toda a trupe da reta final da ouro? A resposta é uma só: quando uma vacina for criada. Mas quando será isso? Eu não sei. Só sei que sinto falta disso tudo. O que me remete àquela velha e sábia frase: a gente só dá valor a algo quando perde.

É isso! Só dei o real valor aos abraços de dentro e fora do campo, quando eles foram proibidos!
Queremos que tudo volte ao normal, mas ainda não sabemos quando — e nem mesmo se — isso vai acontecer. Mas sabemos que, até que os abraços sejam liberados, o futebol perde um pouco de graça e perde muito da emoção.

Que você valorize os abraços de quem você tem por perto e que possamos ser mais gratos por essas pequenas atitudes, quase automáticas, que não valorizamos!

Abrace mais, reclame menos! E volta logo futebol! 

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Kamila Padilha

Kamila Padilha

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, advogada, ponta-grossense sócia de um escritório de advocacia na cidade de Curitiba, apaixonada por esportes e torcedora operariana. No Net Esporte Clube traz uma visão de torcedora, relembrando histórias e causos da arquibancada.