Existe vida fora dos gramados e ela precisa ser valorizada

Existe vida fora dos gramados e ela precisa ser valorizada

Jogadores não são atletas 24 horas por dia; existe vida fora dos gramados - Foto: José Tramontin/Operário

Para começo de conversa já deixo uma impressão: não acho que o futebol paranaense retome as atividades em julho. O aumento de casos positivos para o novo coronavírus no estado e a situação de alerta na ocupação dos hospitais vai impedir que alguém tome frente para 'bancar' a competição em meio ao atual cenário.

De forma geral é preciso aguardar no mínimo (NO MÍNIMO MESMO) um mês para esperar que a curva atinja o pico e comece a descida. Isso pensando na implementação de medidas restritivas mais severas. Mas o torcedor questiona: e o futebol? Não tem como voltar logo com um protocolo básico de segurança sanitária?

Sou enfático para responder que 'não'! Não podemos esquecer que o jogador não é só jogador 24 horas por dia, aqui no NEC não somos só jornalistas a todo momento, e você torcedor não é o dia todo torcedor. Há vida fora das profissões/funções.

Uso um exemplo simples: o jogador treina isolado, se cuida e volta para casa. E lá dentro ele pode ter um parente que foi fazer compras no mercado, na farmácia... um segundo de descuido que esse 'terceiro' teve e podemos ter um ambiente contaminado. E se o jogador se contamina, ele corre o risco de levar o vírus ao ambiente de trabalho.

Nesta semana mesmo tivemos o exemplo do presidente do grupo gestor do Operário, Álvaro Góes, que acabou testando positivo para a doença. Pouco depois os sintomas apareceram em familiares do presidente. Isso porque ele tem vida fora do clube, tem uma rotina, tem convivência com pessoas próximas. É um lado de todo ser humano que não podemos esquecer, principalmente em meio a uma pandemia.

Mas não seria então o ideal testar todos os jogadores para ter segurança na volta da competição? Sim, é o ideal, mas no momento ele não é palpável. O correto seria testar elencos, comissões técnicas e funcionários toda semana ou, pelo menos, a cada duas semanas. Mas cada testagem em massa custa cerca de R$ 15 mil para os clubes. Quem tem condições de realizar esse investimento sem parcerias com ajuda de custo?

Uma alternativa seria testar e confinar todos os envolvidos no espetáculo num Centro de Treinamento ou Hotel, restringindo ao máximo o contato deles com o mundo externo, incluindo famílias. Mas essa possibilidade nunca foi cogitada no país.

Ou seja, não é o que desejávamos, mas o futebol vai esperar. Ele PRECISA esperar.

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Felipe Gustavo

Felipe Gustavo

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha na produção de conteúdo da Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.