Nunca é fácil ter que dizer adeus

Nunca é fácil ter que dizer adeus

Gerson Gusmão e Álvaro Góes na sala de imprensa do Operário durante coletiva - Foto: Arquivo OFEC

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Saber a hora certa de acabar com um relacionamento nunca é fácil. Muitas vezes, a gente fica tentando continuar algo e não vê que estamos extremamente desgastados, machucando a nós e aos outros.

Entender que tudo é um ciclo e que mudanças são necessárias é o grande segredo da vida. Saber parar e recomeçar é perceber que, como tudo no mundo, nasce, cresce e morre. Mas nem sempre a morte é o fim. Geralmente, a morte é o recomeço.

Vemos hoje uma situação quase impraticável no Fantasma. É perceptível o clima tenso entre a diretoria/comissão técnica, jogadores e a torcida. As cobranças e o pedido de “fora Gersinho” não são mais um segredo e tempos atrás tomaram as ruas de Ponta Grossa, literalmente.

Existem exceções: os defensores da continuidade do Gerson Gusmão no comando técnico exaltam suas conquistas no passado, títulos e acessos. São defensores vorazes que, com faixas de apoio, demonstram sua satisfação com o técnico do clube.

Mas, como disse, são exceções.

A maior parte da torcida, inclusive a Trem Fantasma, já deixou claro que não aceita mais Gersinho como técnico do Operário. Em nota, muito bem redigida, a Trem agradece por tudo, mas pede a saída do técnico.

Na época dos protestos o grupo gestor, na pessoa do presidente Álvaro Goes foi à Rádio Clube e reafirmou sua confiança no técnico, mantendo-o no comando e criticando aqueles que se encontram insatisfeitos. Para Álvaro, o torcedor não pode reclamar e o sócio tem que apoiar incondicionalmente!

Somos torcedores. O OFEC não é uma empresa, não é apenas um negócio. Futebol é  paixão. O Grupo Gestor aceitou administrar uma PAIXÃO, não uma empresa.
Não se trata de uma relação meramente de trabalho, onde existem patrões e subordinados. Não se trata de uma relação de consumo, onde posso acionar o PROCON por falta de comprometimento de um ou outro jogador.

É uma relação sui generis¸ que o direito não define e o dicionário não explica. Futebol é sentimento, se sente.

Querido presidente, não venha pedir aos cornetas da reta que guardem suas críticas. Não peça à Trem que não exerça seu papel de organizada e não proteste em nome de todos os outros. Não venha me pedir silêncio e apoio incondicional a alguém que não cabe mais no meu Operário.

Meu, pois escolhi amar esse time, sou sócia fiel e EM DIA desde abril de 2015! Se eu não posso cobrar ou me fazer ouvir, algo está bem errado.

O clube tem que tratar com mais respeito seu sócio torcedor e mais ainda aqueles que se mantém fiel mesmo em tempos difíceis como esse. Dói ouvir que não podemos criticar algo pelo qual contribuímos!

O que entendo de gestão ou de futebol? Entendo o suficiente pra ver que não funciona mais.

Não temos um padrão técnico e a apatia na lateral do gramado é o mais preocupante. Um profissional que não é cobrado ou desafiado se acomoda. Gerson está acomodado e, além disso, está respaldado pela diretoria, que insiste em não enxergar que, dessa vez, a culpa não é dos jogadores. 

A eliminação no Paranaense e na Copa do Brasil já era sinal suficiente de que as coisas não funcionavam mais. Agora na 12a rodada do Brasileiro fica claro que Gerson não tem capacidade técnica de gerir um elenco da série B. 

Temos um elenco muito bom, mas muito mal treinado, em 12 rodadas Gerson não repetiu escalação. Não é hora de teste Gerson, é hora de colocar em prática o treino. Além da parte técnica, vemos um racha no elenco, a declaração do técnico sobre Douglas Coutinho é absurda. Além de aparentemente não conseguir mais impor seu método nas quatro linhas, o treinador perdeu o elenco. Saber gerir pessoas e egos é essencial para um bom treinador.

Gersinho tem seu nome cravado na história do Operário. Ninguém pode apagar seus feitos, mas acredito que o clube cresceu e ele não acompanhou.
Mesmo que seja em um filme de heróis, a famosa frase “Ou você morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão” se aplica perfeitamente ao cenário operariano. Aqui não se trata de morrer, literalmente, mas de saber encerrar o ciclo com o mesmo prestígio que se iniciou.

O Operário tem uma história e, diferente de outros times do norte do estado, TEM UMA TORCIDA fiel. Esse é nosso diferencial.

A torcida esteve em anos difíceis, em conquistas, e sempre estará lá, apoiando, consumindo e amando o clube, independente do comando técnico e administrativo. Ouça a torcida, respeite a torcida, e entenda que onde não há opinião, não há crescimento.

Saber fechar ciclos é importante, mas mais importante é saber ouvir! 

Já diria a inesquecível Nina Simone: “You've got to learn to leave the table when love's no longer being served”.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Net Esporte Clube

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Kamila Padilha

Kamila Padilha

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, advogada, ponta-grossense sócia de um escritório de advocacia na cidade de Curitiba, apaixonada por esportes e torcedora operariana. No Net Esporte Clube traz uma visão de torcedora, relembrando histórias e causos da arquibancada.

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