O último desgaste

O último desgaste

Gerson Gusmão em treino enquanto era técnico do Operário Ferroviário - Foto: José Tramontin/Arquivo OFEC

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Quem acompanhou de perto os quatro anos de Gerson Gusmão no Operário Ferroviário aprendeu a conviver de perto com o termo “desgaste”. Palavra comum no dicionário do treinador alvinegro, o desgaste foi muito usado como justificativa para más atuações, derrotas ou rendimento baixo em competições longas.

Pelo excesso, o termo acabou se desgastando e se tornou piada entre torecdores. O time toma gol? Desgaste. Centroavante perde gol dentro da pequena área? Culpa do desgaste. O time passou uma semana treinando, sem a sempre cansativa, e, por que não, desgastante, maratona de jogos e acabou empatando em casa? Culpe o desgaste.

Enquanto o desgaste físico da equipe como justificativa ganhava espaço, outro foi menos perceptível para o treinador e o Grupo Gestor da equipe de Vila Oficinas. Maus resultados, críticas à torcida, insistência em ideias e atletas que não vinham funcionando, e a postura apática à beira do gramado acabaram criando atrito entre torcedores e comissão técnica. Todo atrito gera desgaste, e quando o desgaste é muito, a tendência é que as coisas quebrem.

E no caso de Vila Oficinas se estilhaçaram. Após 4 anos e 7 meses à frente do Fantasma, Gerson Gusmão foi demitido do comando técnico com direito a foguetório e comemoração de torcedores em redes sociais. De acordo com números levantados Jornalista do Diário dos Campos, Felipe Gustavo, o treinador esteve no comando do Operário em 166 partidas, tendo conquistado 85 vitórias, 44 empates e 37 derrotas. Nesse período foram quatro taças conquistadas, sendo duas nacionais e duas estaduais em divisões inferiores.

Como foi dito pelo amigo João Vitor Rezende Borba em um tweet: “O Operário não sabe dizer adeus”. 

Gersinho provavelmente será o maior treinador da história do Operário, hoje essa cadeira é indiscutivelmente dele, assim como o protagonismo no capítulo mais vencedor e campeão do clube. Poderia, e deveria, ter saído em melhores condições. Talvez a história tivesse sido diferente caso o treinador saísse na pausa do Campeonato Paranaense por causa da epidemia de Covid-19, quando as coisas já davam sinais de não estarem bem. Talvez o desgaste tivesse sido menor se, após a eliminação em casa para o Cianorte no estadual, a diretoria tivesse optado por agradecer ao treinador pelos trabalhos e procurado outro nome.

Mas o Grupo Gestor resolveu insistir na peça desgastada, muitas vezes atacando atletas e torcida. Foi comprada uma briga em nome da “Gratidão a tudo que ele já fez por nós” que culminou na muito comemorada demissão do treinador. Eu li em algum lugar que em campo, quando o momento passa, não existe espaço para a gratidão. Mas fora dele sempre existirá.

O Operário realmente não sabe dizer adeus, nem “terminar bem”. Antes do treinador Gersinho, o volante e capitão de todos os títulos do Operário, Chicão, também sofreu com o mesmo tipo de desgaste e teve uma saída discreta, comunicada através de nota oficial. A mesma coisa aconteceu com o lateral direito Danilo Baia, também presente em todas as taças conquistadas.

Do elenco campeão do Paranaense em 2015, com participação nos outro três títulos da equipe principal, restam Peixoto e Sosa. Nos resta torcer para que não seja forçado o desgaste de mais dois jogadores ídolos da torcida e que recebam a despedida e saída que ídolos merecem.

Ao Gerson Gusmão me resta agradecer pelas taças, pelos gritos de gol e pelas festas que a equipe dirigida por ele proporcionou enquanto as coisas funcionaram. Seu lugar na história do Operário Ferroviário está guardado ao lado das taças que ajudou a conquistar. Boa sorte nos novos projetos.

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Lucas Matos

Lucas Matos

Jornalista formado pela UEPG em 2014, foi fotógrafo e assessor de comunicação do Ponta Grossa Phantoms, além de Assessor de Imprensa do Conselho Regional de Educação Física. Atualmente é analista de comunicação.