Como nascem os mitos? Como se criam os ídolos?

Como nascem os mitos? Como se criam os ídolos?

Báia, Peixoto, Sosa e Chicão estiveram nas principais conquistas do Operário desde 2015 - Foto: Arquivo

PublicidadeNEC

Segundo o dicionário ídolo é um objeto de grande amor ou de extraordinário respeito e admiração; herói.

Apesar da longa história do Operário, e alguns nomes relevantes em 108 anos do clube, seus maiores ídolos estão vivos e fazem parte da história recente do Fantasma.
A conquista do título estadual em 2015, o primeiro em mais de 100 anos de existência, os acessos e títulos nacionais consecutivos tudo isso está muito fresco e latente na memória do torcedor operariano.

O curioso é que quatro jogadores estavam presentes em todos os títulos relevantes e acessos para as principais séries do futebol brasileiro. São eles, o zagueiro Sosa, os laterais Baia e Peixoto e volante Chicão.

Eles também estavam lá na queda de 2016, no retorno em 2018. Eles sempre estavam lá. Porém nessa semana esse ciclo vitorioso se encerrou, os dois últimos remanescente do título de 2015 foram oficialmente desligados do Operário. Engraçado pensar que, nenhum é atacante, apesar de Peixoto sempre fazer gols importantes, inesquecível gol no primeiro jogo da final do paranaense de 2015.

Esses quatro jogadores sempre representaram bem a camisa do Operário. Como esquecer Baía com as mangas erguidas correndo na lateral direita, ou seus bordões “Tá bom de açúcar? Tá só o mel?!” Ou o Capita Chicão, nosso xerifão da meiuca, que as vezes caía pra lateral quando precisava.

Falando em cair pra lateral, Peixoto era zagueiro, até que Itamar Schulle o jogou pra lateral esquerda e ali ele brilhou com nossa camisa. Peixoto era um jogador exemplar, mas uma pessoa que brilhava.. que falta fará aquele sorriso, aquele maldito sorriso que fez até propaganda de consultório de odontologia.

Sosa, nosso uruguaio carioca, como definir esse homem de pouca conversa e muito futebol. Segurança é sinônimo de Juan Sosa, era isso que ele me transmitia. Olhar ele comandando a zaga me dava tranquilidade. E como esquecer do fatídico 26/08/2018??? Quando conquistamos o acesso pra série B, e ao mesmo tempo que Sosa jogava sua esposa estava em trabalho de parto.

Resultado acesso e filha no mesmo dia! O vídeo desse dia, alegria do nosso zagueiro era palpável.

Eu poderia encher essas linhas com as boas histórias e memórias de jogos, gols, vídeos de aniversário, e tudo de bom que eles nos proporcionaram, mas ainda assim seria pouco. Se você, torcedor, foi feliz com o Operário em algum momento da sua vida, tenho certeza que esses quatro caras estavam em campo, quem sabe as vezes no banco, mas eles estavam lá.

E assim, com conquistas, carisma, compromisso, momentos partilhados, identificação com o clube e com a torcida que nascem os ídolos. E eles serão eternamente lembrados com carinho, mesmo que o clube não tenha se despedido da melhor maneira, entendam, vocês são importantes, fazem parte da melhor parte da hitória do OFEC e como define o dicionário  merecem extraordinário respeito.

Aparentemente para o clube uma nota oficial e um post nas redes sociais do clube é o suficiente. Não foi só com Sosa e Peixoto, foi com eles, com Chicão e Baia, até mesmo Gerson Gusmão merecia uma saída mais digna. Um lugar bom de trabalhar ultrapassa o mínimo que é receber em dia, é ser reconhecido pelo seu bom desempenho.

Em tempos de pandemia está descartado um jogo de despedida, mas eu esperava um pouco mais de reconhecimento àqueles que ganharam, em campo, os títulos mais importes do Operário.

Um vídeo de agradecimento, uma camisa comemorativa ou uma despedida com o presidente do GG honrando eles era o mínimo. Mas não aconteceu, então resta a nós da torcida honrar nossos heróis!

Cabe lembrar que “A maior virtude de um homem reside no fato deste reconhecer a virtude de outro homem (...).”― Evan Do Carmo

Compartilhe essa notícia com seus amigos!
Kamila Padilha

Kamila Padilha

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, advogada, ponta-grossense sócia de um escritório de advocacia na cidade de Curitiba, apaixonada por esportes e torcedora operariana. No Net Esporte Clube traz uma visão de torcedora, relembrando histórias e causos da arquibancada. Escreve sempre às quartas-feiras.