O trem descarrilo

Depois de assombrar o Vasco na Colina, o trem das onze descarrilou na segunda curva da longa trajetória a ser percorrida. Segundo o Aurélio, descarrilar significa, entre outras coisa, "sair do bom caminho". E foi o que aconteceu após uma estreia de bom resultado e excelente performance. A derrota, mesmo quando o placar é dilatado, faz parte do mundo do futebol e não deve assustar uma torcida que já está bastante calejada. Esperava-se muito mais, reconhecemos, mas a disputa está apenas começando e o que conta é a classificação após as 38 rodadas.

Mesmo que o futebol apresente surpresas nem sempre positivas, é preciso tirar algumas lições desta goleada. O técnico Matheus Costa assumiu a responsabilidade, mas isso não é o bastante. Será preciso entender porque o time foi tão desastroso no primeiro tempo.

Tudo começou pela escolha de alguns jogadores, especialmente do meio de campo. Leandro Vilela vinha de uma inatividade e Rafael Chorão nunca foi e nunca será um bom volante. Tem limitações como marcador e Leandrinho joga bem com a bola nos pés. Quando volta para o seu campo costuma fazer faltas desnecessárias. A defesa não andou bem por conta do setor que deveria prestar auxílio na marcação.

O sistema defensivo não é representado apenas pelos alas e zagueiros de área. O complemento está no sistema de cobertura da meia cancha e este n&at ilde;o funcionou por conta das limitações dos jogadores citados. E aí cabe responsabilidade direta de quem os escalou. As falhas individuais de Filemon também contribuíram para o retumbante fracasso em Curitiba.

Outro aspecto a ser observado é o desempenho de quem esperou por uma oportunidade no time principal e não foi bem. A impressão é de que os considerados reservas não estão à altura do time titular que cumpre ótima campanha no estadual. Jogador como Marcelo Carioca, por exemplo, não pode ficar de fora enquanto em boas condições físicas e técnicas. Não existe ninguém melhor do que ele no meio de campo, fato preocupante, pois ele não poderá ser titular em todas as partidas que restam na temporada. O desgaste não irá permitir.

Não estamos sugerindo empilhar jogadores em Vila Oficinas depois desse fracasso. Será preciso, neste momento, recuperar quem está fora e dar confiança a um grupo que vem mostrando ser eficiente quando não deixa o estrelismo subir à cabeça. 

Vem aí a disputa do estadual no seu arremate definitivo e as lições do Alto da Glória devem ser aprendidas de maneira a não permitir um novo vexame. Que o trem das onze volte aos trilhos o mais breve possível.

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Altayr Bail

Altayr Bail

Altayr Bail é jornalista profissional, com registro número 507 na Delegacia Regional do Trabalho no Paraná, desde 27/03/1973, com atuação nos jornais Diário dos Campos, onde foi redator e editor responsável por 17 anos, Diário da Manhã e Jornal da Manhã. Foi criador e redator do Jornal do Empresário, da ACIPG, editor dos boletins do Guarani e América Pontagrossense. Também foi o editor de programas esportivos nas rádios Clube, Difusora, Central do Paraná, CBN e Lagoa Dourada. Como apresentador de programas esportivos atuou na TV Esplanada (hoje RPC) e  TV Educativa. Trabalhou na Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal e na Liga Desportiva de Ponta Grossa. Escreve às segundas-feiras no portal Net Esporte Clube.