Falta explicação

Falta explicação

O Operário perdeu por 1 a 0 do Avaí na 13ª rodada da Série B - Foto: André Jonsson/OFEC

Mesmo que o baixo nível técnico da série B esteja relativamente equiparado, esperava-se mais do Operário nos confrontos contra as equipes que estão vivendo o mesmo momento na tábua de classificação. Contra o Avaí, mesmo com a repetida desculpa dos desfalques, o Fantasma mais um vez deixou escapar a soma de pontos.

Explicar a derrota pela falha individual de dois jogadores não reflete a realidade dos fatos. Chega a ser injusto. A campanha de altos e baixos precisa ser avaliada num contexto global. A começar pelo Grupo Gestor, que deve explicações pela chegada de jogadores de altos salários, acima do padrão habitual do clube, que não estão devolvendo o futebol esperado. Fracasso técnico, seguidas contusões, número elevado de cartões e sequência inexplicável de passes errados fazem do Fantasma um time previsível e sem poder de reação.

A análise passa também pelo setor médico, que não consegue a recuperação, em curto prazo, de jogadores importantes para o esquema do treinador, A desculpa da Pandemia vem tirando a paciência do torcedor e esse quadro também precisa de relatórios mais convincentes, embora a imprensa e a torcida sejam sempre desconsideradas.

A culpa pela sequência de jogos e de viagens representa apenas uma parte do problema, já que os adversários estão no mesmo barco e só não avançam na tabela pela mediocridade dos seus jogadores, com raras exceções.

Repetir a escalação de atletas que nada fizeram de útil até agora parece ser o maior dos problemas e aí entra a responsabilidade do comissão técnica. O repertório das lesões tem validade até um determinado ponto, já que para algumas posições as trocas deveriam ser tentadas, já que, além da pobreza técnica, tem gente que já deveria ter dado lugar, mesmo que o banco seja outro problema dentro do contexto geral da fragilidade anunciada.

Não se pode dizer que o grupo é medíocre, principalmente se fizermos comparações com times que até agora não decolaram. Aliás, é graças a  eles que a situação ainda é razoável na tabela. Existem bons valores no Operário, mas alguma coisa de muita importância está acontecendo e as respostas precisam ser dadas, já que o torcedor não tem acesso às intimidades administrativas. A imprensa menos ainda. 

A crise técnica, reconhecemos, não é só do time de Vila Oficinas. De maneira geral, estamos vendo uma disputa de baixo nível e jogos difíceis de assistir. Com os investimentos feitos nesta temporada, o Operário poderia estar sobrando no campeonato, pois o problema que mais pesa no momento, falta de salários em dia, parece não afetar o nosso representante, a menos que os próprios jogadores digam o contrário. Aliás, tem profissional que não está fazendo por merecer nem a metade do que recebe. 

O jogo na Ressacada foi mais uma dose de sacrifício para o torcedor, já que o adversário exigiu pouco e o Operário não fez quase nada. Meio de campo marcando mal, sem iniciativa para uma bola enfiada no ataque e os homens de frente desperdiçando as raras chances de gol. Fábio Alemão bem só na raça e vontade, mas precário depois de passar da linha do meio de campo. Marcelo, que poderia sustentar alguma coisa boa no desarme e na armação, saiu cedo demais. Mais um hóspede do DM, sem previsão de alta. Os passes errados são assustadores em todos os setores da equipe. Até o goleiro Simão entrou na estatística, mas ele ainda tem muito mérito perante a torcida. Até quando? Não sabemos. 

O primeiro turno está se aproximando do final e o número mágico de 30 pontos começa a ficar  difícil, principalmente se avaliarmos as possíveis conquistas nas partidas que ainda restam. Menos mal que a torcida não está indo a campo e no cenário que vivemos é até bom que os portões do Germano Kruger continuem fechados.

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Altayr Bail

Altayr Bail

Altayr Bail é jornalista profissional, com registro número 507 na Delegacia Regional do Trabalho no Paraná, desde 27/03/1973, com atuação nos jornais Diário dos Campos, onde foi redator e editor responsável por 17 anos, Diário da Manhã e Jornal da Manhã. Foi criador e redator do Jornal do Empresário, da ACIPG, editor dos boletins do Guarani e América Pontagrossense. Também foi o editor de programas esportivos nas rádios Clube, Difusora, Central do Paraná, CBN e Lagoa Dourada. Como apresentador de programas esportivos atuou na TV Esplanada (hoje RPC) e  TV Educativa. Trabalhou na Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal e na Liga Desportiva de Ponta Grossa. Escreve às segundas-feiras no portal Net Esporte Clube.