Tudo online seria a solução?

Tudo online seria a solução?

IEM KATOWICE: o tempo do Counter-Strike internacional - Foto: Divulgação

Há anos o Brasil já não é mais conhecido como “o país do futebol”. Sabemos disso, mas ainda temos nosso amor pelo esporte bretão (embora exista a controversa com esse termo). Gritamos pela seleção, morremos de amores por nossos times e ficamos sem voz todo dia em que acompanhamos o futebol. Mas, a nova geração ainda está assim? A “Geração Playstation” entende o futebol como entendemos?

É notória a diferença de identidade que meu avô tinha para o futebol com o que eu tenho. Talvez, o Velho Morais só soubesse dos times europeus que o seu Santos derrotou em seus grandes anos. Eu, como amante do futebol, abraço o esporte em seu momento mais lindo e acompanho jogos e jogos pelos canais alternativos do mundo, desde a Liga dos Campeões da Europa até o querido “Nicaraguão”, que movimento o mundo do futebol em 2020.

E então, com essa mudança de perspectiva de enxergar o esporte, como os clubes podem trazer os novos torcedores pro seu lado? A solução é controversa, mas tem nome fácil e diversas possibilidades: eSports, ou, como conhecido antigamente, esportes eletrônicos. 

Antigamente, as organizações de eSports eram times com nomes criados para ter referência ao local de criação (mibr - Made in Brazil) ou alguma frase forte (NaVi - Natus Vincere que, em tradução literal, significa Nascido para Vencer) hoje tem sido substituídas (ainda de forma pequena) por equipes que são bem conhecidas no futebol. Flamengo, Corinthians, Cruzeiro e Santos no Brasil, Valencia, PSG, Manchester City e Roma, na Europa, são exemplos de times que disputam as principais divisões nacionais de competições online. 

Mas, essa seria a solução rápida? Não. eSports, como qualquer categoria, necessita de investimento e abertura de espaço. Não é da noite pro dia que você vai achar 5 jovens que têm potencial para conquistar o mundo e colocar eles com a camiseta do seu time para ver o resultado. É preciso paciência e vontade. Então, por que times gigantes do futebol investem nessa nova área? Simples, torcida e identidade. Quanto mais você aparecer, mais você será reconhecido - é a lógica comum e aqui é igual. Quanto mais equipe, mais competições e mais premiações, mas seu nome vai ser lembrado.

Hoje, é mais comum do que se parece encontrar jogadores de futebol conhecidos mundialmente (Casemiro, Neymar e Gabriel Jesus são exemplos) jogando partidas de eSports com pro-players (os jogadores profissionais de eSports) ou celebridades do meio.

Apostar em apenas uma categoria, às vezes, é um tiro no pé. Vemos isso em grandes organizações, vemos isso em equipes vindas do futebol. Para um começo é normal instigar uma categoria apenas, mas e para o futuro? Por que não apoiar outros times? Existem diversas competições que o que você precisa para entrar é apenas um nome - você já ouviu falar na “Tropa do Inguiça”?

Esse é o exemplo mais claro que temos. A equipe acabou de garantir sua vaga no Dream Hack Open SA (torneio de CS da América do Sul) mesmo com o nome sendo “meme”. Então, o que impede grandes equipes de “doarem” seus nomes para times? 

Sejamos sinceros, o Operário Ghosts é um acerto dentro da marca Operário Ferroviário. Para quem acompanha o PES x11 sabe o quanto o eSport é jogado no Brasil e o quanto o Ghosts botou o nome do Operário na competição. Mas, só isso? Nesta segunda-feira foi divulgado a adesáo ao LOL, inclusive com uma partida contra a UEPG. Mas também há espaço para equipes de CS que poderiam ser “adotadas” pelo Ghosts, além de diversos players de Free Fire que conseguem se destacar no cenário, por que não ajudar eles trambém?

Talvez, em anos conturbados onde as torcidas podem acabar se afastando pelo distanciamento social (alô galera, vamos respeitar), as competições onlines podem ser grandes apostas aos Clubes. Afinal, é muito fácil torcer para o vencedor, mas o sentimento de vencer sendo zebra (ou underdogs) também existe no online. Que cada vez mais clubes entendam isso e consigam abrir portas para os “atletas do online”.

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Danilo Schleder

Danilo Schleder

Jornalista formado pela UEPG em 2017, fotógrafo e social midia. Foi fotojornalista e redator no Do Rico ao Pobre, escreve sobre eSports e futebol.

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