Bom dia, tristeza

Bom dia, tristeza

Com a pandemia, estádios estão vazios há quase um ano - Foto: Arquivo NEC

“Que tarde, tristeza. Você veio hoje me ver, já estava ficando até meio triste de estar tanto tempo longe de você”, assim cantava Adoniran Barbosa em “Bom dia Tristeza”. E entre tantas tristezas que temos acumulado ao longo dos últimos meses, uma das maiores – para mim e para tantos aqui – é ficar longe do Germano Krüger. E lá se vai quase um ano desde que pela última vez pisei em Vila Oficinas, para acompanhar um penoso 1 a 1 com o Toledo. Se soubesse que aquela tristeza em forma de jogo seria a última em muito tempo, teria degustado melhor dela. 

Porque aprendi com o acúmulo dos anos que o futebol nos permite esse prazer sádico de desfrutar a tristeza, saborear a raiva durante uma partida. Encontramos algum desfrute sublime nos resmungos, xingos e desolação em um empate pífio num domingo de sol em que poderíamos estar desfrutando alguma outra atividade mais relaxante. 

E é muito fácil sentir a falta dos bons momentos, da glória e do regozijo, mas remoer as saudades do gol perdido; da raiva das trocas insossas de passe que acabam em um mal domínio; da desilusão de uma mexida errada do treinador, isso é para aquele estágio em que a tristeza e saudades atingiram limites profundos. 

O torcedor sente falta daquele empate sem vergonha no meio da tabela do Estadual, de penar sob o sol de fevereiro no Germano Krüger e sair frustrado. Quem frequenta Vila Oficinas sabe o quanto é triste ficar longe da rotina de voltar para casa quase meia noite de uma quarta-feira reclamando das substituições mal feitas, dos pontos desperdiçados e que o Grupo Gestor precisa se mexer para contratar reforços. Não tem televisão, grupo de Whatsapp ou rede social que substitua a realidade do concreto do estádio. 

Nos encaminhamos para um ano sem pisar no Germano Krüger, devendo estender essa ausência por um longo tempo ainda. Vai demorar, e muito, para podermos voltar ao estádio e desfrutar as alegrias, euforia, decepções e tristezas que uma arquibancada proporciona. Ainda terá muita tristeza se acumulando até lá. “A tristeza é um bichinho que pra roer tá sozinho. E como rói a bandida, parece rato em queijo parmesão”, disse o mesmo Adoniran na mesma Bom dia Tristeza. A tristeza ainda vai roer muito essa nossa saudade.

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Jeferson Augusto

Jeferson Augusto

Jeferson Augusto é jornalista, formado pela UEPG, com mais de 15 anos de profissão. Foi repórter de Esportes por cinco anos no Diário dos Campos, além de ter atuado nas editorias de Cidades e Política. Foi chefe de Redação do mesmo jornal e hoje é assessor de comunicação da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Acredita fielmente que futebol é mais do que um jogo, é uma das poucas coisas que reúne todas as sensações humanas em um curto espaço de tempo. Escreve sempre aos domingos.

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