Quero saber sua opinião, treinador

Quero saber sua opinião, treinador

Jeferson Augusto, colunista NEC

A esta altura certamente em algum momento você se deparou com o depoimento do técnico do América-MG, Lisca, pedindo para que a primeira fase da Copa do Brasil seja revista, em meio ao caos sanitário que atinge a maior parte dos estados brasileiros. Certamente você também já sabe que o Operário vai jogar esta mesma etapa da competição contra o Juventude-MA. Talvez você tenha conhecimento que o Maranhão, terra do adversário do Fantasma na competição nacional, foi mais um dos estados que decretou uma série de medidas restritivas na tentativa de frear a contaminação do coronavírus. 

"É inacreditável sair uma tabela da Copa do Brasil hoje, com jogos dia 10, 17, 80 clubes que nós vamos levar jogadores com delegação de 30 pessoas para um lado e para o outro do país", disse o treineiro do Coelho mineiro. O Operário está entre estas delegações que vão ter que se expor em um deslocamento de quase três mil quilômetros, entre aeroportos, aviões e outros ambientes que podem oferecer risco de contaminação aos jogadores e toda a comitiva alvinegra. 

O raciocínio de Lisca tem bons pontos a serem considerados, é coerente, mas você pode discordar da sua queixa, é do jogo. Porém, aqui quero me apegar mais à ação do técnico do que propriamente ao conteúdo do discurso do treinador. São cada vez mais raras declarações como esta. 

Frases protocolares de técnicos e jogadores à beira do gramado, pós ou antes de uma partida, já fazem parte da misancene futebolística. Nos acostumamos com entrevistas burocráticas à beira do campo ou nas entrevistas coletivas, limitadas a três ou quatro frases prontas sobre a partida ou a competição (“temos um adversário difícil pela frente”, “vamos acertar o que deu errado para a próxima partida”, e por aí variam as frases que técnicos e jogadores soltam em entrevistas meramente protocolares). 

Matheus Costa chegou a dar uma declaração sobre a atual paralisação do Campeonato Paranaense, defendendo a segurança dos profissionais do futebol, e gostaria de uma opinião sincera dele sobre ter que ir até o Maranhão no meio do pior momento da pandemia. Gostaria também de saber dos jogadores se eles temem algum tipo de risco por conta dessa viagem, se apoiariam uma eventual suspensão, ou se preferem viajar e entrar em campo. 

Entre tantas coisas que poderiam mudar no futebol, ver mais gente do campo dando opinião –sincera, não frases prontas e burocráticas – seria uma dessas mudanças bem-vindas. 

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Jeferson Augusto

Jeferson Augusto

Jeferson Augusto é jornalista, formado pela UEPG, com mais de 15 anos de profissão. Foi repórter de Esportes por cinco anos no Diário dos Campos, além de ter atuado nas editorias de Cidades e Política. Foi chefe de Redação do mesmo jornal e hoje é assessor de comunicação da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Acredita fielmente que futebol é mais do que um jogo, é uma das poucas coisas que reúne todas as sensações humanas em um curto espaço de tempo. Escreve sempre aos domingos.

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