O foguetório da madrugada

O foguetório da madrugada

Tomas Bastos disputa bola com jogador do Azuriz no Paranaense - Foto: João Vitor Rezende

Estava eu na última quarta-feira no conforto de casa desfrutando uma bela partida de basquete (porque nem só de pão e futebol vive o homem) na televisão quando ouço uma sequência de estampidos barulhentos que duraram um bom par de minutos. Dada a proximidade do meu lar a Vila Oficinas, não demorei para reconhecer do que se tratava: a boa, velha e nem tão receptiva tática de pipocar rojões em frente ao hotel dos adversários do Operário. 

É bem verdade que pelo horário, muito improvável poucos atletas do Azuriz estivessem no calor do sono no momento em que começaram a estourar os fogos na recepção do hotel. Possivelmente a boleiragem estaria vendo o mesmo jogo que eu na televisão, outros estariam pendurados nos seus smartphones, ou agarrados em alguma disputa de Playstation 5, ou ainda se acabando em uma rodada interminável de pôquer (no passado, certamente os jogadores estariam entretidos em uma disputadíssima caxeta, mas eram outros tempos). 

Esbocei um sorriso ao ouvir o foguetório cujo objetivo seria intimidar e tirar o sono dos adversários do alvinegro nas quartas de final do Campeonato Paranaense. Admito que nutro uma certa simpatia por essa estratégia, cuja eficácia científica ainda padece de estudos para ser comprovada. 

Ainda assim, repito, mantenho uma condescendência por esse tipo de atitude condenável por alguns. Intimidar o adversário por métodos não ortodoxos é do jogo, faz parte do cerimonial de qualquer partida decisiva, tal como entrar com o pé direito no gramado, se benzer antes do apito inicial. Tem que se lançar mão destes artifícios nestas horas, trata-se de nossa Libertadores, afinal. 

E por fim, não me venham dizer que não adiantou nada. Tenho clara certeza que Bedoya ao isolar a derradeira cobrança nas quartas de final do Paranaense ainda tinha em mente o foguetório da madrugada anterior. Ao caminhar até a marca da cal certamente o ensurdecedor barulho voltou aos seus ouvidos. Enquanto se dirigia à bola, os estampidos voltaram a lhe perturbar. O zagueiro depositou todas as forças naquele chute com claro objetivo de espantar todos os seus pesadelos. Ninguém tira isso da minha cabeça. Podem creditar esta classificação aos foguetes insones.

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Jeferson Augusto

Jeferson Augusto

Jeferson Augusto é jornalista, formado pela UEPG, com mais de 15 anos de profissão. Foi repórter de Esportes por cinco anos no Diário dos Campos, além de ter atuado nas editorias de Cidades e Política. Foi chefe de Redação do mesmo jornal e hoje é assessor de comunicação da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Acredita fielmente que futebol é mais do que um jogo, é uma das poucas coisas que reúne todas as sensações humanas em um curto espaço de tempo. Escreve sempre aos domingos.