Longa caminhada

Longa caminhada

Leandrinho comemora gol pelo Operário diante do Vasco - Foto: André Moreira/Divulgação

Esqueçam esta primeira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Não importa o que aconteceu neste fim de semana, pois trata-se de um campeonato tão longo que qualquer resultado inicial se pulveriza ao longo das intermináveis 38 rodadas. Convém avisar que já tinha em mente este primeiro paragrafo muito antes do final da partida em São Januário neste sábado. 

É óbvio e descabido pedir para esquecer uma vitória tão maiúscula como foi o feito na Colina logo na abertura do Brasileiro. Lógico que muito alvinegro vai colocar mais esta vitória na prateleira de feitos memoráveis do seu clube. Mas o que quero afirmar é que por maior que seja enfileirar dois gols em São Januário na primeira de 38 rodadas, este pode ser apenas um entre incontáveis altos e baixos que a Série B oferece. 

A segunda divisão nacional é antes de tudo um longo deserto a ser atravessado com reserva escassa de água. É aquela montanha-russa suspeita, de procedência e segurança duvidosa, que entre muitos altos e baixos oferece riscos de descarrilar a cada curva. O lema para a Série B é o mesmo que todos nós temos que adotar nestes dias tenebrosos: o importante no final é conseguir sobreviver. 

É certeiro como cafezinho pós-almoço que o Operário vai, cedo ou tarde, tropeçar e vacilar. Assim como uma vitória tão convincente como a que foi sobre o Vasco também era esperada.

Equilibrada, disputada e cheia de equipes e jogadores sedentos por algum espaço, a Série B é um campeonato esquizofrênico, em que se pode flertar com o rebaixamento, estacionar no meio da tabela e sonhar com o acesso em um intervalo de quatro ou cinco rodadas. 

Matheus Costa parece entender esta dinâmica da competição. Passa a impressão de saber que sua equipe pode acumular uma série de empates descartáveis e derrotas decepcionantes na mesma medida que é possível arrancar vitórias importantíssimas e assim construir uma campanha sólida para os padrões de Série B. 

Por hora, o melhor é desfrutar a vitória em São Januário e tomar fôlego para a longa travessia que o Operário terá pela frente. Repito como um mantra: o importante é chegar vivo no final.

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Jeferson Augusto

Jeferson Augusto

Jeferson Augusto é jornalista, formado pela UEPG, com mais de 15 anos de profissão. Foi repórter de Esportes por cinco anos no Diário dos Campos, além de ter atuado nas editorias de Cidades e Política. Foi chefe de Redação do mesmo jornal e hoje é assessor de comunicação da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Acredita fielmente que futebol é mais do que um jogo, é uma das poucas coisas que reúne todas as sensações humanas em um curto espaço de tempo. Escreve sempre aos domingos.

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