Corrida de rua e os ensinamentos sobre a vida

Corrida de rua e os ensinamentos sobre a vida

Eu (terceira da direita para esquerda embaixo) com medalha em uma prova em PG - Foto: Divulgação

Começa lentamente. Você vai acelerando o pace e o coração começa a bater no mesmo ritmo que seus pés tocam o chão. A marcha ritmada encontra a sua respiração ofegante e seu pensamento “inspira, expira”. Você vai prosseguindo, ganhando resistência e quando termina, lá se foram todos seus medos. Cruzo a linha de chegada e venço meu pior inimigo: eu mesma. 

Minha paixão pela corrida não começou recentemente. Aos nove anos de idade, eu competia nos jogos municipais na prova de mil metros. Fiquei em último lugar. Lembro que falavam para eu desistir, mas eu continuei porque eu entendia a importância de competir, de terminar, de vencer cada metro. Jamais vou esquecer aaquela sensação.

Correr sem dúvida se tornou meu esporte. Desde de muito tempo, é bem mais do que uma atividade aeróbica para queimar calorias. É meu remédio, minha meditação diária. A hora que meus pensamentos param e a única coisa que importa é o ritmo, a pisada, a respiração. 

Comecei 2020 com a meta de correr 21km. Correria a prova em Florianopólis. E aí, em março, o mundo entrou em colapso. Todas as provas canceladas e, agora. o desafio, além da meia maratona, era também correr de máscara. 

Um ano se passou. Absolutamente nada mudou. A meta continua lá, a máscara também. A corrida de rua virou estratégia para não frequentar academias. As provas? Sem previsão de voltar. O sentimento de cruzar a linha de chegada e pegar a medalha continua aqui. A aglomeração da largada, os corredores amadores ligando seus relógios, se preparando, trocando palavras de motivação. É disso que sinto mais falta. 

As corridas, que se tornaram muito populares no Brasil inteiro, principalmente no segundo sementres, foram cancelas ou remodeladas para evitar a aglomeração. O que fica, além da saudade de correr ao lado de outros apaixonados pelo esporte, é um rombo enorme para as empresas que vivem de organizar esses eventos esportivos.  

Corridas importantes e tradicionais como a São Silvestre, a Maratona do Rio de Janeiro, a Maratona de Boston, Tóquio e Berlim foram todas canceladas. Algumas outras são somente para atletas de elite. O jeito foi deixar o esporte mais individual ainda e usar a tecnologia como aliada. Sites, empresas e aplicativos lançam desafios mensais. Você corre, posta sua corrida e é recompensado com prêmios e, em alguns casos, até medalhas. 

Para nós, vidas corridas, que não conseguem dizer adeus ao sentimento de liberdade e superação que os quilômetros  proporcionam, fica mais uma vez a lição do esporte. Que a corrida, sempre uma metáfora da vida, nos ajude também a entender o momento atual. O sentimento de cuidar do corredor do lado, de entender que o que importa é a jornada. A paciência de entender que as vezes os 10km que ontem foram fáceis, hoje não rendem. E é preciso aceitar, acalmar o coração e entender que a melhor maneira de recuperar é parar, repensar, para voltar ainda mais forte. 

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Juliana Spinardi

Juliana Spinardi

Juliana Spinardi é jornalista com experiência em assessoria de imprensa, produção de televisão e rádio, jornal imprenso e marketing. Entrou para o mundo da tecnologia e das empresas Saas (Software as a Service) em 2019 e atua como community manager.

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