É hora do sócio-torcedor ter mais participação na vida o Operário?

É hora do sócio-torcedor ter mais participação na vida o Operário?

Sócio-torcedores do plano Prata são a maior parcela - Foto: João Vitor Rezende/Arquivo

No fim de 2018, estive envolvido na produção de uma série de reportagens em vídeo para o Net Esporte Clube sobre a temporada mais vitoriosa do Operário. No episódio sobre a força dos torcedores, uma fala abordando a proximidade entre a torcida e diretoria/funcionários do clube me chamou bastante a atenção. 

Os diretores estão nos principais grupos da torcida, respondem comentários com o perfil pessoal, existe um acesso simples (e que as vezes gera algumas coisas bizarras como alguns áudios nos grupos, mas isso é assunto para conversas de bar e não para essa coluna). Essa proximidade é ótima, é a alma do clube de interior onde a gente conhece todo mundo do “porteiro ao presidente”.

Mas esse acesso acaba aí, na informalidade de uma conversa na porta do estádio, numa resposta no grupo de torcedores. A diretoria do Operário reitera, entrevista após entrevista, que o torcedor tem que ajudar aderindo o programa Sócio Fantasma da Vila e que torcedor só é verdadeiramente torcedor do alvinegro se a carteirinha estiver no bolso e a mensalidade estiver em dia. Me pergunto se não era hora desse torcedor, que ajuda o clube sem receber nada, igual aos diretores, ter mais participação no dia a dia do clube.

Não falo aqui de termos sócios-torcedores com poder de decisão em contratações ou estratégias de governança, isso é papel da gestão atual e das que devem vir num momento futuro. Mas o sócio-torcedor precisa ser, e se sentir, mais presente no clube. Hoje o associado Fantasma da Vila é um consumidor, basta ver o que compõem os planos, com as vantagens tendo a ver com descontos em compras na loja oficial, gratuidades para assistir as partidas e o clube de benefícios no comércio da cidade.

Trazer o sócio que, nas palavras dos diretores, se compromete e paga para ter uma equipe competitiva é uma forma de mantê-lo ligado ao clube através de outros laços que não só os de benefícios financeiros. E aproximar o torcedor vai para além de ações como a escolha do uniforme de jogo, como foi feito em 2017, ou sorteios de brindes como vem acontecendo esporadicamente para quem está em dia.

É preciso mais transparência com o sócio, com balanços periódicos do número de sócios ativos, em dia e quanto isso representa em dinheiro para o clube, e não só quando são atingidas boas marcas ou são anunciadas mudanças nos valores. É importante ter alguém escolhido pelos sócios que faça formalmente a ponte entre eles e a diretoria, também de forma periódica e com registros formais.

Na entrevista do forçado “Dia do Fico”, concedida a equipe da rádio Lagoa Dourada, o Presidente do Grupo Gestor, Álvaro Góes, chegou a falar na possibilidade da realização de uma eleição para escolher seu substituto num próximo momento. Esse é um primeiro passo muito importante para dar ao sócio-torcedor maior poder de decisão e voz dentro do clube, escolhendo quem representa melhor suas ideias. Para isso ainda é necessário a elaboração de regras mais claras, processos mais bem definidos, mas parece um bom norte a ser seguido.

 

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Lucas Matos

Lucas Matos

Jornalista formado pela UEPG em 2014, foi fotógrafo e assessor de comunicação do Ponta Grossa Phantoms, além de Assessor de Imprensa do Conselho Regional de Educação Física. Atualmente é analista de comunicação.

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