O futebol não vive um mundo paralelo, precisa parar

O futebol não vive um mundo paralelo, precisa parar

Lucas Matos, colunista NEC

Hoje o texto não é só sobre o Operário. Não é para criticar a desatenção da defesa no final do segundo tempo na estreia contra o Azuriz, não é para elogiar a transmissão, que tem pontos a melhorar, mas que para uma primeira tentativa valendo, valeu. O assunto é mais importante que isso, porque não trata só de futebol, mas sim de todo o contexto que ele está inserido.

Sempre tentei trazer nos meus textos que o futebol não fica à parte da sociedade e que entender isso é fundamental. Enquanto eu escrevo essa coluna, o Paraná enfrenta o pior momento da pandemia de covid-19, com fila para leitos de UTI no estado. Para tentar frear o colapso do sistema de saúde do estado, o Secretaria de Estado de Saúde precisou adotar medidas mais rigorosas, mesma coisa feita pelos municípios.

Correr atrás do prejuízo é um desafio enorme. O comércio não essencial precisa ser sacrificado, o toque de recolher e a proibição de bebidas alcoólicas depois das 20h precisam ser adotados para diminuir acidentes, e as aglomerações precisam ser impedidas a duros custos. O Estado precisou intervir, depois de meses fazendo vista grossa, porque a situação é crítica. 

E o futebol nada tem culpa nisso, mas ainda assim está inserido nessa realidade e o que acontece nela também o afeta. No Paraná, a Federação Paranaense de Futebol resolveu por cancelar a segunda rodada da principal competição no Estado após a insegurança jurídica que acabou fazendo com que apenas duas das seis partidas da primeira rodada acontecessem. 

O Ministério Público (MP) recomendou a não realização das partidas do Paranaense, recomendação acatada pela maioria dos municípios, mas que chegou a virar caso de Polícia, mais precisamente Guarda Municipal, que precisou entrar com viaturas em campo para evitar a realização de Londrina e Maringá no Estádio do Café. Em Ponta Grossa, a partida foi realizada. O Operário pode entrar em campo, contrariando a recomendação do MP e com aval da prefeitura, conforme revelado pela reportagem de Ana Lopes para o Net Esporte Clube.

A decisão sensata da FPF partiu da incerteza da realização das partidas e, portanto, da possibilidade de não garantir as transmissões feitas pela Rede Massa. Pelo menos o futebol paranaense pára, diferente de outros estaduais que continuam, diferente da Copa do Brasil, que tem a primeira fase marcada, enquanto 1910 pessoas morrem de covid-19 em um único dia no país.

O paranaense segue parado e a tendência é voltar no próximo final de semana após o governo estadual afrouxar as medidas, liberando o comércio em horário reduzido, a partir de quarta-feira (10). Aqui fizemos nossa parte, talvez não pelos motivos certos, mas fizemos. Enquanto isso, neste domingo teremos o jogo da volta da Copa do Brasil ,e indiferente do campeão, teremos aglomerações comemorando. 

Entendo todos os motivos que levaram o futebol a voltar em 2020. Entendo também que parar atrapalha calendário, treinamentos, isso afeta o rendimento de atletas em campo. Mas o futebol, infelizmente não vive uma realidade paralela. Por mais que existam protocolos para a bola rolar, já tivemos casos de atletas jogando positivados para covid-19 em um dos tempos da partida, por exemplo. 

Não fico feliz com o futebol precisando parar e vocês não imaginam a saudade que eu tenho de assistir um jogo na arquibancada. Também não fico feliz em ver o comércio precisando parar, as contas voltando a apertar para quem depende do movimento para sobreviver. Porém, me entristece ainda mais ultrapassar os 260 mil mortos, de uma doença que a única prevenção é o distanciamento social. É hora de nos cuidarmos, cuidarmos dos outros e esperar que as coisas melhorem para voltar com o futebol. O mundo só vai voltar ao normal com a vacina. Até lá, ficamos em casa, se pudermos, e se não pudermos usamos máscara!

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Lucas Matos

Lucas Matos

Jornalista formado pela UEPG em 2014, foi fotógrafo e assessor de comunicação do Ponta Grossa Phantoms, além de Assessor de Imprensa do Conselho Regional de Educação Física. Atualmente é analista de comunicação.

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