Próximo passo para inclusão no esporte: realidade ou mito no futebol?

Próximo passo para inclusão no esporte: realidade ou mito no futebol?

Operário já realizou ações para inclusão, mas medidas diminuíram - Foto: José Tramontin/Arquivo OFEC

O esporte, desde que surgiu como competição há mais de 4 mil anos antes de Cristo tem como característica vários tipos de restrições. No ano de 776 a.C. foi registrada oficialmente a primeira Olimpíada, exclusiva para homens. Desde então muita coisa mudou, novas modalidades e regras surgiram, assim como após muita luta, as mulheres passaram a ter o direito de competir.

Muito tempo depois, já aqui no Brasil, surgiam muitos times de futebol para incluir os que não eram aceitos nos clubes da época, caso do Internacional de Porto Alegre, por exemplo. Mas agora olhando para a nossa cidade, temos o Operário Ferroviário, que colocou em cena no começo do século passado os trabalhadores das ferrovias. Foi também uma das primeiras equipes a contar com jogadores negros.

Mas e agora? Qual seria o próximo passo nesta luta de inclusão? Há quase um ano e meio o Operário mudou as bandeirinhas de escanteio para bandeiras que representam a inclusão e a igualdade, incluindo a bandeira LGBT em uma partida contra o Cuiabá pela série B. Uma atitude louvável perante o histórico não apenas do esporte, mas principalmente do futebol.

O gesto do Operário mostrou que um clube quebrando paradigmas há um século estava mantendo na essência a inclusão. Porém, no dia 28 de junho do ano passado – dia do Orgulho LGBT, menos de um ano depois de um gesto nobre, algo veio na contramão de tudo isso.

Uma publicação se referindo à inclusão desta minoria havia sido postada nas redes sociais do clube alvinegro, que seguiu outros grandes clubes pelo mundo. Mas após alguns comentários homofóbicos e de reprovação, o post foi apagado sem explicação nenhuma, deixando o Operário isolado e na contramão de um dia tão importante para a comunidade LGBT.

Isso mostra que apesar de grandes avanços na luta contra homofobia, transfobia e machismo, um clube com um histórico tão inclusivo mostra que está atrelado a uma cultura do futebol machista e homofóbico ao apagar um post supostamente por conta de torcedores preconceituosos.

Não temos como controlar a homofobia e o machismo estruturais que vem da torcida, mas não é tolerável que um clube institucionalize esses hábitos. A função do clube é combater esses preconceitos e incluir, incentivar o público LGBT a estar nas arquibancadas, a se sentir bem-vindo. Este é o próximo passo, em que o clube esportivo mais conhecido de Ponta Grossa deixou a desejar.

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Nicolas Pedrollo

Nicolas Pedrollo

Jornalista formado pela UEPG em 2018, foi estagiário no Portal aRede e Jornal da Manhã. Também trabalhou com marketing digital e foi repórter na Revista D’Ponta. Atualmente é produtor de conteúdo na Rede Massa | SBT. Escreve às quartas-feiras.