Onde estão os atletas LGBT do futebol?

Onde estão os atletas LGBT do futebol?

Nicolas Pedrollo, colunista NEC

Que o futebol masculino é cercado por polêmicas que envolvem racismo, machismo e homofobia, muita gente já sabe. Nos últimos anos os grandes clubes brasileiros e mundiais têm abraçado essas causas como uma forma de afirmar que estão abertos e dispostos a aceitar qualquer pessoa, independente de quem seja. Quanto à torcida, ok, há muitos torcedores LGBT, mas e os atletas? Como ficam? Existem jogadores profissionais homossexuais?

Em um contexto nacional o assunto é pouco comentado, praticamente um tabu entre as equipes. Afinal, alguma vez um jogador já ‘saiu do armário’? A resposta é certa: não! Mas eles existem? Muito provavelmente e a justificativa para que nenhum atleta tenha falado sobre isso é clara: o medo da rejeição e do preconceito, com razão.

Durante uma entrevista para a ISTOÉ, publicada em 2009, o treinador Muricy Ramalho foi direto quando questionado sobre jogadores que venham a se assumir gays: “Se o cara falar está morto para o futebol”, afirmou na ocasião. O técnico ressaltou que ainda existe muito preconceito e lamentou que o futebol seja assim.

A fala de Ramalho deixa claro que nem em Ponta Grossa, no Operário Ferroviário e nem em nenhum outro clube profissional brasileiro um jogador gay seria bem visto, muito menos aceito. A entrevista foi publicada há 12 anos, mas nada mudou de lá pra cá. Quando o assunto são atletas gays, o silêncio predomina.

No mundo poucos atletas do futebol gays falaram sobre a sexualidade e um caso em específico chama a atenção: Justin Fashanu, que foi o primeiro e único jogador da Premier League a falar sobre o assunto. O resultado não foi positivo: ele foi encontrado morto oito anos depois de se declarar homossexual e na carta em que deixou, esclareceu que não queria ser mais uma vergonha para familiares e amigos.

Há alguma esperança?

Se no futebol profissional há um tabu gigantesco, o mesmo não pode ser dito do amador. Há diversos times de futebol LGBT pelo país e até um campeonato chamado de ‘Champions Ligay’, que é exclusivo para equipes amadoras, reunindo 12 times. Isso já pode ser considerado um começo, mas mesmo assim são equipes que não são bem aceitas no esporte.

Em um cenário local, o que há é um vazio. Ponta Grossa não conta com nenhuma equipe de futebol LGBT amadora, ilustrando os reflexos de uma cidade com características conservadoras. Reflexos que devem mudar, incluir e também transformar esta cultura vergonhosa da nossa cidade.

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Nicolas Pedrollo

Nicolas Pedrollo

Jornalista formado pela UEPG em 2018, foi estagiário no Portal aRede e Jornal da Manhã. Também trabalhou com marketing digital e foi repórter na Revista D’Ponta. Atualmente é produtor de conteúdo na Rede Massa | SBT. Escreve às quartas-feiras.

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