Em 31 de março de 1946: a goleada do Operário no clássico Ope-Guá

Rivalidade entre Operário e Guarani marcou a história do time alvinegro

Em 31 de março de 1946: a goleada do Operário no clássico Ope-Guá

Elenco do Operário em 1947, quando foi tricampeão do interior - Foto: Arquivo Cação Ribeiro

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O mesmo 31 de março, há 74 anos. 1946. De um lado, Operário Ferroviário; do outro, Guarani Esporte Clube. Uma goleada, 8 a 1 para o Operário. O clássico Ope-Guá foi o maior clássico da história dos Campos Gerais e marcou a trajetória do time de Vila Oficinas de 1914 a 1974. Em 46, a goleada do alvinegro em cima do 'bugre', como era conhecido o Guarani, foi marcante. O placar foi o mesmo de um jogo de agosto de 1938, e estes foram os dois jogos de resultado mais elástico entre os dois times. 

Segundo o Doutor Ângelo Defino, autor do livro 'Imortal Operário Ferroviário', o clássico Ope-Guá teve 171 partidas oficiais registradas, com 80 vitórias do Operário, 46 vitórias do Guarani e 45 empates. A média é de quase quatro gols marcados por jogo - 3,75.

O clima entre Operário e Guarani era de rivalidade. O Operário, na sua origem, representava os trabalhadores das ferrovias; o Guarani, a classe comerciária e estudantil. Como quem estudava, na época, era considerado privilegiado, o Guarani ficou caracterizado como 'elite'. 

'Graxeiros operarianos' e 'pó de arroz bugrinos' estavam por toda parte. Na Rua XV de Novembro, década de 50, de um lado, o Bar King era a 'casa' dos torcedores do Operário, e do outro lado da rua, o Bar Maracanã era onde se reuniam os torcedores do Guarani. Divisão acentuada pelas apostas, provocações e charges.

"Operário e Guarani marcaram não só o futebol ponta-grossense, mas a história do futebol do Paraná. Monopolizaram a atenção dos torcedores durante todo o século passado praticamente. Não existia nem tempo para acompanhar times de outras cidades, da capital. Os torcedores viviam a rivalidade local", destaca o Doutor Ângelo Defino.

"A rivalidade atinge seu ápice nas décadas de 40, 50, 60, quando o Guarani monta times cada vez melhores e junto com o Operário eles disputam desde os aspirantes até as categorias maiores, nas Ligas dos Campos Gerais. O Guarani teve grandes administradores e com isso conseguia bater de frente com o Operário. A cidade parava, independente se era na Vila Estrela ou no Estádio de Vila Oficinas. As famílias iam, a torcida era muito dividida. Antes dos jogos tinham carreatas, desfiles", destaca.

Não houve placar registrado maior no confronto entre Operário e Guarani que o 8 a 1 de 31 de março de 1946. O último Ope-Guá da história aconteceu em 18 de maio de 1969 e acabou em 1 a 0 para o Fantasma.

"Em 1964, como havia um inchaço muito grande de times na primeira divisão, surge uma divisão para o acesso e descenso. Com isso, em 1965, Operário, Guarani e mais dez times caem para a Segunda Divisão. A rivalidade continua. Quem conseguiria subir primeiro? O Guarani foi vice em 67, mas só subia o primeiro colocado. O Operário consegue, em 69, e volta à Primeira Divisão em 70. Guarani fica na segunda divisão. Em 71, os dois pedem afastamento por dificuldades financeiras. Em 74, precisava ter uma decisão se voltavam do afastamento ou não. Operário voltou e o Guarani se licenciou de vez", lembra Dr. Ângelo. 

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