Treinadora de futsal conta o desafio da profissão dominada por homens

Juciandre atua na área de treinamento esportivo de equipes desde 2015

Treinadora de futsal conta o desafio da profissão dominada por homens

Juciandre comandou a equipe feminina do Ponta Grossa Futsal durante dois anos - Foto: Arquivo Pessoal

Nesta segunda-feira (8), marcada pelo Dia Internacional da Mulher, diversas reflexões e debates surgem no que diz respeito às mulheres. No esporte, a falta de espaço para a atuação feminina ainda é uma das principais dificuldades enfrentadas por aquelas que desejam fazer carreira na área. A professora e treinadora Juciandre Capri, 27, que comandou a equipe feminina do Ponta Grossa Futsal entre 2019 e 2020, divide suas experiências à frente de equipes. Atualmente, é profissional de Educação Física na Secretaria Municipal de Esportes de Ponta Grossa. 

A professora atua na área de treinamento esportivo desde 2015, quando foi auxiliar técnica da equipe feminina do Ponta Grossa Futsal. Em 2019, assumiu o time como técnica, até 2020. Atualmente, os projetos acerca da equipe foram suspensos por falta de recursos, mas Juciandre afirma que é um momento de regressão necessária, visando planos maiores a longo prazo. 

A respeito do comando de equipes, Juciandre conta que sempre prezou pelo treinamento de equipes femininas. "Eu nunca me interessei em treinar equipes masculinas. Acho que sou tão defensora do esporte feminino, que mesmo com toda a falta de condições que temos, com tudo o que passamos, com o preconceito no futsal e futebol feminino, temos que erguer essa bandeira e trabalhar bastante com o feminino. Nunca tive vontade, muito menos recebi convite para comandar equipes masculinas. Sei da minha capacidade, sei que muitas mulheres teriam essa capacidade, mas acho que temos que fortalecer primeiro o feminino, para depois buscar por novos ares", diz a professora.  

Em uma rara ocasião, Juciandre chegou a comandar a equipe masculina do Ponta Grossa Futsal - apenas comandou, não treinou - na fase regional dos Jogos Abertos do Paraná, em 2019. "Eu já tive essa experiência. E eu acho que por mais que a gente saiba mais, por sermos treinadoras e pelos meninos serem atletas, eles acham que a gente não tem todo o conhecimento que eles têm. Sofri desrespeito sim, tive que engrossar a voz e, algumas coisas a gente tem que acabar relevando, para que não chegue a vias de fato, pois não vai adiantar. Ganhar espaço a cada dia, é mais importante do que querer mudar a ideia de quem é machista", destaca. 

Segundo ela, o maior problema enfrentado por treinadoras no esporte, é ter sempre que provar que é melhor do que os demais - principalmente homens. "Por diversas vezes, eu já me peguei refletindo: Por que o cara que tem uma política diferente, uma política não feminista, vai estar atuando em uma equipe feminina, enquanto eu poderia estar dentro desse processo? Ainda somos muito geridos por homens, e a maioria deles são machistas. Aquele machismo intrínseco, que a pessoa nem sabe que está sendo, mas está", analisa a professora. 

Para as mulheres que estão iniciando os primeiros passos no esporte, Juciandre deixa uma mensagem. "Não deixem que a paixão de vocês seja suprimida por qualquer tipo de pessoa, comentário ou situação. Que a vontade de vencer seja maior que qualquer obstáculo. O esporte feito por mulheres e de mulheres é a melhor coisa que vai acontecer para todos. Vamos ser valorizadas como merecemos. É questão de tempo para que isso aconteça. Tanta gente fez tanto para que pudéssemos estar onde estamos hoje. Que a gente faça mais um pouco para que as próximas gerações sofram bem menos". 

Juciandre é formada em Bacharelado em Educação Física pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Licenciatura em Educação Física pela Faculdade Sant'Ana, pós-graduada em 'Treinamento em Futsal' e, atualmente, cursa uma pós-graduação em 'Gestão Pública do Esporte'. A professora é licenciada na categoria C  da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para 'Técnicos de Futebol'. Durante a formação na entidade, Juciandre foi a única mulher entre 39 homens. 

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