Alunos de Educação Física avaliam ensino à distância em aulas práticas

Nesta quarta-feira completa um ano da suspensão das aulas na UEPG em 2020

Alunos de Educação Física avaliam ensino à distância em aulas práticas

São oito meses desde que UEPG optou pela volta às aulas no formato à distância - Foto: Arquivo Pessoal

São quase oito meses desde que a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) retomou as atividades no modelo remoto. Com início no começo de julho de 2020, alunos e professores tiveram de se adaptar ao ensino à distância nesses meses. Além das disciplinas teóricas, as práticas também seguiram sendo ofertadas pelos cursos. Um deles é curso de Educação Física - bacharelado e licenciatura. Atualmente, a UEPG conta com 49 cursos de graduação, sendo nove à distância. 

Lucas Pinheiro do Prado, aluno do último ano do curso de Bacharelado em Educação Física da UEPG, comenta a experiência de ter aulas práticas de forma remota. “O maior ponto negativo do ensino remoto é ter as aulas práticas de forma remota, esse é o ano que mais temos prática, o ano que colocamos em quadra, pista de atletismo, piscina e academia tudo o que acumulamos de aprendizado teórico durante os primeiros anos da graduação. Então montar treinos, esquemas táticos, jogadas, movimentos técnicos, ficou muito mais abstrato, principalmente em disciplinas como a natação ou futebol”, explica Lucas. 

Mas ele reforça e reconhece o trabalho realizado pelos professores diante do cenário pandêmico. “Sendo sincero, eu teria trancado o curso caso não tivesse com a formatura paga. Sinto-me extremamente decepcionado com a forma como vou me formar. O último ano não foi nada do que eu esperava ou tinha planejado. Mas sei que sou só mais um frustrado em meio a vários acadêmicos. A universidade e os professores têm feito o que está ao alcance no momento, mas ainda assim, sabemos que não é e nem teria como ser o suficiente. Acredito que a comunidade acadêmica no geral tem consciência disso de forma unânime”, diz.  

Também aluna do último ano da graduação, Ingryd Ribeiro de Mello, reitera o esforço da comunidade acadêmica. “Diante da situação, cabe a nós aceitar e entender. Em 2020, adiamos o máximo que podíamos as aulas durante alguns meses, na esperança que tudo melhorasse, porém não foi possível. Houve esforço por parte dos professores em deixar tudo mais parecido com o presencial, porém sabemos que é difícil substituir uma aula que era 100% prática. Da nossa parte enquanto acadêmicos é tentar levar o máximo da teoria, das vivências práticas tidas até então e ir aprendendo no dia a dia. Você consegue pegar um pouco de uma matéria ou outra. Nesse cenário, é o mais prudente a se fazer”, diz a aluna. 

Carolina Paioli Tavares, professora e chefe do departamento de Educação Física da Universidade, analisa os meses de trabalho remoto. "Tem um prejuízo, mas não é um prejuízo de impacto tão efetivo, porque todos os anos os alunos têm disciplinas de caráter prático, mas obviamente que você ensinar o movimento do basquete em quadra e ensinar através de vídeos e documentários de maneira remota são coisas diferentes. A medida que o tempo foi avançando e percebemos que a volta seria impossível, fizemos diversas reuniões com os professores para melhor auxiliá-los nesse modelo de aulas", diz. 

Ela ainda analisa o cenário do ensino remoto entre os cursos de bacharelado e licenciatura. "Acredito que o curso mais prejudicado seja o de licenciatura, porque é um curso em que a maioria dos alunos estuda no período da noite, trabalha durante o dia, a faixa etária dos alunos é mais alta. Os alunos do bacharelado já estão mais acostumados com uma rotina de curso integral, passando o dia todo na universidade. Em conversa com os professores percebemos maior afastamento das atividades síncronas por parte dos alunos de licenciatura", explica Carolina. 

Volta às aulas 

No que diz respeito a uma possível volta das aulas de forma presencial, as universidades públicas estaduais e federais têm autonomia para decidir pela volta ou não da presencialidade. No último decreto estadual do Governo do Estado, publicado no dia 5 de março, estava autorizada a volta das aulas presenciais em escolas públicas e privadas, além das universidades, a partir de 10 de março, porém nenhuma das universidades públicas do estado optou pelo retorno. 

Em Ponta Grossa, o decreto municipal em vigor até 17 de março autoriza a volta presencial de escolas públicas e privadas que atendam o público infantil. Mas com a alta no número de casos de Covid-19 e a falta de leitos nos hospitais e unidades de saúde, as escolas têm recuado diante da possibilidade e diversas já optaram por adiar o retorno no momento. 
 

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