Iniciativa reúne público para assistir a Copa do Mundo Feminina em PG

Jogos serão transmitidos no Boteco da Estação, com organização do ‘Puta Peita’

Iniciativa reúne público para assistir a Copa do Mundo Feminina em PG

Time Brasileiro de Futebol Feminino entrará em campo pela 1ª vez na Copa no dia 9 de junho, contra a Jamaica - Foto: Nike/Divulgação

Para assistir aos jogos da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que acontece entre 7 de junho e 7 de julho deste ano, o projeto Puta Peita organiza, em Ponta Grossa, eventos para a transmissão dos jogos do Brasil no Boteco da Estação, situado na Rua Ermelino de Leão, 1565.

A ideia surgiu de mulher ligadas ao próprio movimento Puta Peita que, ao trabalhar frases de reflexão sobre a sociedade machista e desigual em estampas de camisetas, quis dar um passo maior e exercer influência sobre as construções sociais que cercam a realização do mundial feminino.

“Precisamos começar a atentar a toda essa estrutura opressiva, e ver o quanto é injusto sermos subjugadas apenas por ser mulher. Assistir mulheres indo para uma Copa do Mundo faz com que as meninas do futebol amador possam pensar não só em um futuro profissional, mas também em uma valorização do feminino por outros aspectos que não a beleza ou a sexualidade”, ressalta a representante do Peita, Aline Soares Lopes.

Com esta iniciativa, tanto o grupo Peita quanto a proprietária do Boteco da Estação pretendem fazer com que mais pessoas apoiem o futebol feminino e reconheçam o esforço das atletas que representam o Brasil na França - da mesma forma como acontece em competições de futebol masculino. 

“A escolha do lugar foi pensada justamente pela dona ser mulher. Jessica desconstrói diversos estereótipos de gênero e isso é muito importante para que possamos compreender e mudar as desigualdades das nossas comunidades. Aqui em Ponta Grossa temos muitos estabelecimentos bons, mas poucos que são tocados por mulheres. Precisamos mostrar ao mundo que somos capazes, e a ideia é fortalecer essa cultura de que nós podemos o que queremos”, conta Aline.

“Fiquei muito feliz quando a Aline me procurou e me contou sobre a causa da Peita, e ver que escolheram o Boteco para representar aqui na nossa cidade. Sou mulher e essa iniciativa nos da força e nos une ainda mais”, afirma a empresária Jessica Louise Hoffmann.

Futebol feminino a fundo

No Brasil, as entidades responsáveis pelo futebol obrigam os clubes de Série A a criar times de futebol feminino. Ainda assim, a informalidade, a precarização, a ausência de mulheres na gestão de clubes e o apoio apenas esporádico à modalidade feminina permanecem. 

“Existe um movimento que mira para a ascensão do futebol feminino e neste sentido eu não poderia deixar de reconhecer o trabalho de algumas mulheres, como a professora Silvana Goellner, da UFRGS, e outras pessoas que sempre buscam fomentar e trazer maior visibilidade a modalidade, seja por meio da pesquisa, debates ou atividades como a que foi realizada a poucos dias no Museu do Futebol em São Paulo. Entretanto, acredito que ainda estamos distantes do ideal”, avalia Marcela Caroline Pereira, formada em Educação Física e mestre e doutoranda em Ciências Sociais Aplicadas, que estuda a área.

“As mulheres foram proibidas por lei de jogar futebol entre 1941 a 1979. As pioneiras do futebol enfrentaram muitas dificuldades para jogar e ser reconhecidas como atletas efetivamente. Mas, mesmo diante da falta de apoio, elas continuaram nos gramados e trouxeram avanços significativos para o futebol feminino. Elas representam, na minha opinião, força e resistência”, acrescenta Marcela. 

O evento

Todos os jogos da Seleção Brasileira nos jogos da Copa do Mundo serão transmitidos ao vivo no Boteco da Estação. O espaço contará com duas telas, bebidas e lanches à venda e sorteio de brindes. 

“Esperamos que o Brasil ganhe, mas além disso, que a semente da valorização do esporte feminino seja notada, que essas atletas se orgulhem do que fazem e inspirem as pessoas a jogarem, a torcerem, mas também respeitarem”, crava Aline

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