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Três primeiros colocados na tabela têm os menores elencos da Série B

Por João Vitor Rezende em 14/10/2019 09:48:08

Três primeiros colocados na tabela têm os menores elencos da Série B

“Menos é mais”. Essa é uma frase comum no ditado popular brasileiro, mas também é uma máxima que pode ser aplicada à Série B. As três melhores equipes do campeonato contam com os elencos mais enxutos entre os 20 times.

Comandado pelo técnico Guto Ferreira (foto), o Sport, segundo colocado, tem apenas 27 jogadores em seu plantel. Na segunda posição na lista e terceira na tabela de classificação, o Atlético-GO tem 28 nomes disponíveis ao técnico Wagner Lopes. O terceiro clube com menor número é o líder Bragantino, com 30 jogadores. A formação do grupo de atletas tem alguns pontos em comuns entre as equipes citadas. Dois times têm quatro goleiros e nove atacantes (Bragantino e Atlético), os três têm quatro zagueiros e dois estão com cinco laterais (Bragantino e Sport).

Mesmo tendo alto investimento, a decisão destas equipes contrasta com outros times que contam com um número elevado de opções. O Oeste é o líder isolado no ranking com 41 jogadores disponíveis, incluindo 12 meio-campistas e 13 atacantes. Desesperado para deixar a lanterna, o Figueirense inflou o elenco com uma série de contratações no returno do campeonato, contando com 40 jogadores, sendo 14 deles meio-campistas.

Londrina e Vitória, outras equipes que estão lutando para sair da “zona da confusão” (abraço, pofexô Luxemburgo), estão com 39 atletas cada. No Operário, o treinador Gerson Gusmão tem 36 jogadores no elenco, com quatro goleiros, cinco zagueiros, seis laterais, onze meio-campistas e dez atacantes.

Para efeito de comparação, a maioria das principais competições europeias (Liga dos Campeões e campeonatos nacionais de Inglaterra e França, por exemplo) limitam as inscrições de suas equipes para 25 atletas, além de permitir sem restrição a inclusão de outros nomes com até 19 anos. Além disso, dentro do limite máximo, é exigido que ao menos quatro relacionados sejam formados no clube e outros quatro sejam formados nas categorias de base de algum clube do país. Caso estes requisitos não sejam cumpridos, os clubes devem enviar as listas com nomes a menos. Sendo assim, estimula também a formação de novos atletas, além de forçar as equipes a escolherem melhor os seus contratados.

Com apenas quatro equipes tendo 30 jogadores ou menos e utilizando pouco as ‘crias da base’, a Série B é um exemplo nítido do retrato atual do futebol brasileiro. A falta de critérios maiores na hora de assinar o contrato, implica em elenco inchados, crises financeiras recorrentes e escancara a falta de planejamento de boa parte das equipes. Não à toa, vemos a segunda divisão tão nivelada – e em muitas vezes, por baixo.

MENOS TAMBÉM É MENOS – PARTE 1
Por outro lado, duas equipes que iniciam a 29ª rodada na zona de rebaixamento estão na lista dos times com menores elencos. No 17º lugar, o Vila Nova tem 30 jogadores disponíveis, tendo o quarto menor plantel. O Criciúma, que ocupava a 18ª posição na Série B, tem 31 atletas.

MENOS TAMBÉM É MENOS – PARTE 2
Durante a pesquisa para a apuração e a formação deste ranking, notei dificuldade ao buscar uma informação simples: muitos dos clubes sequer atualizam periodicamente suas seções com os atuais elencos. Podemos apontar dois motivos para este descaso: a desorganização dos clubes e a extensa janela de transferências no futebol brasileiro, que termina no antepenúltimo mês da temporada, 40 dias antes do final do calendário nacional.

Mesmo ativo nas redes sociais e com recente aporte estrangeiro, o Bragantino não dispõe de um site oficial. O CRB, por exemplo, ainda não incluiu o atacante Edson Cariús e não excluiu o meia Felipe Ferreira em sua lista. É só mais um dos indícios de como a comunicação não é levada a sério pelos clubes brasileiros em geral, mas outro dia a gente fala disso.

Foto: Divulgação/Sport

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João Vitor Rezende

JOãO VITOR REZENDE

Jornalista formado pela UEPG em 2017, foi repórter de Cotidiano e Esportes do Jornal da Manhã e acompanha o Operário desde 2016. Trabalhou na assessoria de imprensa do Keima Futsal e do Ponta Grossa Caramuru Vôlei. Trabalha como fotógrafo na AGIF. É repórter e apresentador no Net Esporte Clube.