A falácia do esquema com 3 atacantes

A falácia do esquema com 3 atacantes

Bola longa sacrifica Jefinho, que pode render mais com 'jogo por baixo' - Foto: João Vitor Rezende

E se eu te falar que durante todo esse tempo você foi enganado? Que futebol ofensivo não se pratica com atacantes. Que empilhar jogadores de frente no esquema tático não resolve nada se eles estiverem mal posicionados e sem quem os municie com criação.

"Não podíamos jogar com quatro jogadores no meio contra o Toledo. Precisávamos ser ofensivos". Essa foi a fala de um dirigente do Operário Ferroviário nesta semana após o empate com o adversário que briga contra o rebaixamento.

De onde ele tirou a conclusão de que jogar com três atacantes é ser necessariamente ofensivo? É de um senso comum bem raso: mais atacantes = mais gols. Essa 'fórmula matemática' está longe de ser verdadeira, mas é enfiada goela abaixo do torcedor.

Para quem não tem memória curta basta lembrar que o Fantasma foi campeão paranaense em 2015 com três volantes, mas com dois deles participando ativamente da construção ofensiva, com aproximação para jogadas rápidas. Nenhum segredo.

Numa realidade um pouco mais distante (mas bem atual) a Atalanta, da Itália, atua com três zagueiros. Sim, três homens postados atrás. Porém, o time europeu aplica diversas goleadas marcando cinco, seis, sete gols por partida. Nas oitavas de final da Liga dos Campeões foram oito gols no agregado contra o Valência.

Mas tem como ser ofensivo com três zagueiros? Se os defensores mostrarem um pouco mais de qualidade no passe, tem sim! Basta para isso ter aproximação entre os jogadores para efetivar triangulações, viradas de jogo por baixo - enfim, são movimentações que aumentam o leque de opções para o jogo ofensivo.

Logicamente essa 'rotação' precisa de treino constante. Nenhum jogador pode ficar 'paradão' esperando que o companheiro com a bola resolva todos os problemas do time. Aí vai depender do 'jogo chato' de bola longa e que os atacantes resolvam sozinhos numa disputa quase desumana com os zagueiros adversários.

Então o que é melhor? Jogar com três atacantes e sacrifica-los ou tentar movimentações diferentes com a equipe? Não engula a falácia dos três atacantes.

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Felipe Gustavo

Felipe Gustavo

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha na produção de conteúdo da Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.