Cogitar a volta do futebol brasileiro em maio é desumano

Cogitar a volta do futebol brasileiro em maio é desumano

CBF parece sofrer pressão do Governo Federal para a volta do futebol - Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Ganha mais força nos bastidores a probabilidade do futebol brasileiro retomar as atividades normais no mês de maio. Primeiro com a volta aos treinos, depois retorno aos jogos dos Estaduais (sem público) no mesmo mês e, por fim, a realização do Campeonato Nacional.

A iniciativa brasileira vai na contramão das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das decisões esportivas mundo afora. Diversas ligas da Europa cogitam retorno somente em junho.

A Alemanha (160 mil casos - 6,3 mil mortes) precisará rever os planos de retomar a Bundesliga em 9 de maio. A Espanha (232 mil casos - 23,8 mil mortes) permite as atividades com elenco completo apenas a partir de 1º de junho. A França (165 mil casos - 23,6 mil mortes) tende a encerrar o Campeonato Francês. A Inglaterra (161 mil casos - 21,6 mil mortes) não se manifesta, mas publicações da imprensa local indicam o retorno da Premier League a partir de 8 de junho. Na Itália (201 mil casos - 27,3 mil mortes), as atividades em pequenos grupos podem voltar em 18 de maio, mas nenhum clube anunciou o retorno aos treinos.

Vale reforçarmos que a Europa é o continente mais atingido pela pandemia e somente agora vive uma curva descendente de casos do coronavírus. O pico de mortes na Alemanha foi em 16 de abril, na Espanha foi em 3 de abril, na França em 4 de abril, na Inglaterra 11 de abril e na Itália 28 de março.

Ou seja, todos esses países aguardaram a queda no número de casos para cogitarem a retomada do futebol e, ainda assim, ela ocorrerá provavelmente quase dois meses depois do pico.

Já o nosso Brasil (73 mil casos de coronavírus - 5 mil mortes) vê a curva de casos e mortes crescer no final de abril. Chegamos próximos de 500 mortes por dia - sem esquecer que existe subnotificação evidente nos dados. Estados como Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro passam por colapso no sistema de saúde.

Precocemente autoridades tentam driblar recomendações internacionais e soltam aos quatro cantos que o futebol brasileiro estará nos gramados 'em breve'. Um discurso que parte especialmente do Governo Federal e exerce uma pressão sem sentido e desumana.

Um dos argumentos é de que a população precisa de futebol como meio de 'distração' na pandemia. Seria a política do 'Pão e Circo'? O governo dá futebol e o povo se aquieta, tornando-se fiel à ordem estabelecida?

Assim como o Império Romano, que proporcionava sangrentas batalhas nas grandes Arenas para o povo se deliciar, o governo atual parece não se importar com a saúde dos 'palhaços'.

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Felipe Gustavo

Felipe Gustavo

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha na produção de conteúdo da Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.