Foi de raspão, mas valeu!

Foi de raspão, mas valeu!

Rafael Oller foi um dos destaques do Operária na Série B - Foto: João Vitor Rezende

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Operário encerrou sua segunda participação na série B, terminando o campeonato na 8ª posição com 57 pontos. Mesmo que pareça longe na tabela, o OFEC ficou com a mesma pontuação de CSA e Ponte Preta na 6ª e 7ª posição respectivamente. O quarto colocado, e dono da última vaga para série A, foi o Cuiabá, com 61 pontos, ou seja, faltaram apenas 4 pontos para que o Fantasma alcançasse o tão sonhado acesso.

Desde o início, eu entendia que se tinha uma temporada para o Operário brigar pelo acesso, era essa. Mesmo com a pandemia, essa Série B estava mais nivelada, só tinha um time “grande” que era o Cruzeiro (que não subiu), e qualquer equipe minimamente organizada daria conta do acesso. 

Não é ruim permanecer na série B. Vimos a situação do Paraná Clube e também o Londrina em 2019, então a permanência é motivo, sim, de comemoração, mas como o acesso ficou tão próximo, a gente começa a questionar se tínhamos condições de ir em busca de algo mais. 

Faltou tão pouco que a gente começa a se perguntar, o que faltou? Onde erramos?

O primeiro ponto foi a insistência da diretoria na permanência de Gersinho. Quem acompanha essa coluna sabe. Fiz um texto na 12ª rodada da série B, falando do quão desgastada e insuportável estava a situação de Gerson Gusmão no comando técnico do Operário.

Na minha humilde visão de torcedora, as eliminações seguidas da Copa do Brasil e do estadual eram motivos suficientes para romper com o técnico. Porém, insistiram e mesmo com um início de Série B bem bom, o time foi se perdendo, até que na 17ª rodada a derrota para o Cruzeiro foi a gota d'água, e Gersinho foi finalmente mandado embora.

Com Gersinho, o Operário venceu 4 partidas, empatou 7 e perdeu 6. E isso foi determinante para que o Operário não tenha alcançado o acesso Da 12ª até a demissão foram 3 derrotas, 1 empate e uma vitória, incluindo uma das derrotas mais vergonhosas que já sofremos, o 4 a 1 contra o CSA, fora de casa.

A demora da diretoria e até mesmo uma certa teimosia, pode ser um dos motivos que o Operário não alcançou o 4º lugar na série B nessa temporada.

Segundo motivo, a aposta (alta) no atacante Roger. Sempre tive a sensação de que ele não se encaixaria aqui. E foi assim, desde a estreia, mesmo com a vitória, não jogando bem. O ponto reflexo para mim foi aquele pênalti perdido contra o Juventude, pela 12ª rodada. O Operário jogando fora, o jogo estava ainda zero a zero, quando Roger foi cobrar o pênalti e bateu muito mal. Principalmente para um jogador do valor dele, isso não pode acontecer. E a conta veio, perdemos esse jogo e veja só, perdemos 3 pontos para o Juventude que foram essenciais para que eles alcançassem o acesso. Ironias que irritam o torcedor, pois foram detalhes que nos tiraram de estar na série A esse ano.

Outro ponto importante, aquele maldito empate com o Avaí em casa, na 26ª rodada, o time já estava mais encaixado, o primeiro tempo foi disputado, Rafael Bonfim abriu o placar pelo Fantasma as 11 minutos do segundo tempo e o time não estva só adminsitrando, também estava indo pra cima e criando chances. Mas, aos 43 minutos do segundo tempo, Getúlio empatou o jogo e nos tirou dois pontos precisos. Esse jogo foi tão frustrante, pois a gente via que o time merecia a vitória, jogou bem, criou chances. Porém, foi apenas um dos jogos em casa que o Operário perdeu pontos preciosos que faltaram no final.

E por fim, aquele jogo que vai ficar gravado na memória do torcedor, não pelo resultado, mas principalmente pela atuação da arbitragem. O fatídico jogo contra o Cruzeiro no returno do campeonato.

O Operário estava a poucos pontos do G4, uma vitória nos deixaria a um ponto e nos manteria ainda na busca pelo acesso. Porém, o adversário era o Cruzeiro lá em BH, e não que o time da Raposa estivesse ou fosse melhor, mas a pressão que foi colocada nesse jogo foi surreal. A vitória do time mineiro consolidaria a manutenção na série B e uma vitória do Fantasma nos mantinha na briga pelo acesso.

Porém o jogo estava truncado. Sobis abriu o placar aos 31 do primeiro tempo, Ricardo Bueno empatou aos 9 da segunda etapa, três minutos depois Pedro Ken fez o gol da virada, porém a arbitragem anulou alegando uma falta na jogada, que não foi. Aí Potter fez o segundo gol do Cruzeiro e a derrota se confirmou.

Esse jogo foi tão ou mais frustrante que o jogo contra o Avaí, pois nós estávamos com chances de acesso, nosso time era melhor, porém a arbitragem só atrapalhou, foram vários amarelos e uma expulsão. Foi o fim do sonho.

Faltou pouco, foi quase, foi de raspão esse ano!

Mesmo com um returno digno de acesso, o Operário ficou a quatro pontos de subir pra Série A. Foram jogos perdidos no detalhe, na falta de sorte, na teimosia da diretoria. Mas foi bom perceber que o futebol mudou, os quatro times que subiram são times organizados financeiramente e com uma visão nova de futebol.

Acredito, sim, que o Operário continue brigando pelo acesso nesse ano, mas temos que cuidar com pequenos detalhes e aceitar que hoje podemos ser considerados uma das maiores forças do estado.

Entendendo isso, e crescendo tanto em campo, como fora dele, podemos figurar entre os maiores do Brasil. Vamos subir Fantasma!

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Kamila Padilha

Kamila Padilha

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, advogada, ponta-grossense sócia de um escritório de advocacia na cidade de Curitiba, apaixonada por esportes e torcedora operariana. No Net Esporte Clube traz uma visão de torcedora, relembrando histórias e causos da arquibancada. Escreve sempre às quartas-feiras.