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Com salários atrasados, Caramuru tenta driblar fatores extra quadra na Superliga

Orçamento baixo e ataques ao clube dificultam missão do Tigre na competição

Por: Lucas Matos em 07/12/2018 07:30:00 atualizado em 17/01/2019 00:23:22

Com salários atrasados, Caramuru tenta driblar fatores extra quadra na Superliga

Fatores fora da quadra começam a preocupar a comissão técnica - Foto: José Tramontin/Caramuru Vôlei

Com salários atrasados, Caramuru tenta driblar fatores extra quadra na Superliga

Os dias não andam fáceis e os meses têm sido mais longos no Caramuru Vôlei. Em quadra a equipe ainda não encontrou a primeira vitória na Superliga Masculina e amarga a lanterna da competição, com apenas um ponto somado. Fora dela, o time sofre com a pressão da torcida, ataques ao clube e dificuldades com patrocinadores.

Enquanto os resultados não chegam, os atletas do Tigre estão com salários atrasados. A dívida seria fruto do furo de patrocinadores que não repassaram valores prometidos.

No Portal da Transparência da Copel, principal patrocinadora da equipe, constam os repasses mensais de R$60 mil que se iniciaram no mês de agosto. O valor faz parte do repasse total de R$600 mil (dividido em dez parcelas pagas pela estatal). Até a produção desta reportagem constam apenas os repasses de quatro parcelas ao Caramuru.

Segundo Fábio Sampaio, responsável pelo projeto e treinador dos alvinegros, a equipe conseguiu viabilizar o acerto salarial dos atletas para segunda-feira (10). “Estamos com os salários atrasados. Vamos colocar em dia na segunda-feira. Conseguimos o valor com a ajuda de outros patrocinadores fiéis. Eles estão se redobrando dentro do que se comprometeram para cobrir furos de outros patrocinadores”, afirma Fábio, que não revelou quem são os patrocinadores que estão ajudando ou que devem ao clube.

O treinador também reconhece que os dividendos da equipe acabam atrapalhando no trabalho, mas afirma não afetarem diretamente no rendimento em quadra. “Acho que isso compromete no dia a dia. São atletas, pais de família, possuem esposas; ou seja, eles têm seus compromissos diários. Isso no dia a dia perturba um pouco, mas na hora do jogo não. Na hora do jogo a gente tem falhado como profissional e nos cabe um pouco mais de entrega. Quando falo de um pouco mais de entrega, somos todos nós: comissão técnica, eu como líder na quadra e atletas”, explica.

Além dos vencimentos, outro fator que vem prejudicando o Caramuru são os ataques ao clube e à diretoria. Há insinuações de que o clube joga de graça em Ponta Grossa, o que estaria servindo como fonte de enriquecimento para a equipe. Segundo a diretoria, o Tigre paga uma taxa de R$3 mil à Fundação de Esportes de Ponta Grossa pela utilização da Arena Multiuso. Em contrapartida, o Caramuru deve dar utilidade ao espaço e disputar competições oficiais do estado, como os Jogos Abertos do Paraná.

“Nós fizemos a Arena [Multiuso] funcionar o dia inteiro. Todas as categorias masculinas e femininas, do Infantil ao Máster, funcionaram. Alguns meses deixamos de recolher a taxa da Fundação de Esportes pela dificuldade financeira. Mas estamos investindo no esporte local e acho que a proposta é bacana devido a esse grande espaço que nós temos para utilizar. Não vejo problema nenhum em estar pagando”, esclarece Sampaio.

Com um orçamento mais enxuto que outras equipes, o Caramuru faz malabarismo para tentar manter as contas em dia. Para efeito de comparação, os patrocínios repassados pela Copel ao Maringá são superiores ao dobro do que é pago aos ponta-grossenses. A equipe do norte do estado recebe da estatal o valor de R$1.552.995,00 (divididos em nove parcelas de R$172.555,00 mensais).

O aperto no orçamento fez com que a equipe desistisse de disputar a Superliga B com o time feminino, que deve voltar a trabalhar para o Paranaense Adulto 'A' em 2019. Também foram dispensados os funcionários das equipes de base do Tigre devido ao período de férias dos atletas. Porém, eles devem retornar junto com os jogadores.

Sampaio entende que os valores pagos à equipe estão dentro do que o Caramuru pode oferecer de retorno aos patrocinadores e acredita que um bom desempenho na temporada seria fundamental para atrair maiores investimentos. “Torcemos para o Caramuru ir bem, buscar esse playoff. Quem sabe ano que vem a gente consiga esse patrocínio um pouco melhor da Copel e das empresas locais que merecem investir num clube de Ponta Grossa. Mas isso só vem com o resultado”, expõe o treinador.

Fábio usa a trajetória atual do Operário como exemplo. “Um comparativo é o Operário, que só vem ganhando ao longo do tempo. Está em expansão, em crescimento. Todo mundo quer a sua marca na camisa do Fantasma. O Caramuru vem tropeçando, perdendo. A imagem dos patrocinadores tem de estar ligada a uma equipe vencedora e o Caramuru está devendo”, conclui.

Em meio à pressão externa, o Tigre tem uma importante partida contra o Corinthians/Guarulhos, que também está na parte inferior da tabela. O embate ocorre neste sábado (8), às 17h, na Arena Multiuso.

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