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As contas do presidente

Por Felipe Gustavo em 06/08/2019 12:12:06

As contas do presidente

Não. Não estamos aqui para falar de finanças, mas sim de Série B do Campeonato Brasileiro. O Operário conseguiu a primeira vitória como visitante na competição nacional e, logo depois da partida em Criciúma, o presidente do Grupo Gestor, Álvaro Góes, mencionou o objetivo que foi traçado por ele: ganhar todos os jogos em casa e somar mais três pontos fora. Sem esconder de ninguém, a meta particular do mandatário alvinegro é o G4 da Série B.

Logicamente, nessa entrevista à Radio Clube, Álvaro Góes relembrou que o Fantasma precisa tirar um déficit de pontos já desperdiçados dentro do Germano Krüger. Foram sete até o momento: empates com Oeste e Coritiba, além de uma derrota para o Botafogo-SP. Destes sete podemos dizer que o Operário já recuperou quatro (somando um contra o São Bento e três diante do Criciúma).

Mas as contas do presidente são suficientes para um acesso do clube à primeira divisão? Os fatos mostram que existe a chance, mas de forma remota. Caso o Operário vencesse todos os jogos em Ponta Grossa e somasse mais três pontos fora (desde o início do campeonato), somaria 60 pontos.

Desde 2006, quando a Série B passou a ser disputada por 20 clubes, apenas uma equipe conseguiu subir com menos de 60. Foi o Vitória em 2007. A equipe baiana ficou na quarta colocação com 59 pontos (18 vitórias, 5 empates e 15 derrotas).

Houve dois casos em que os times subiram com exatos 60 pontos: Figueirense (2013) e Goiás (2018). No caso goiano, a Ponte Preta ficou empatada com os mesmos 60, mas perdeu no número de vitórias.

Em todos esses cenários de pontuação 'baixa' do G-4, a Série B ficou marcada por excesso de tropeços dos ponteiros e/ou excesso de empates. É um pouco do que está acontecendo em 2019. Nesta temporada já há três clubes que empataram oito vezes em 14 rodadas: Sport, Figueirense e Oeste.

Esse equilíbrio de resultados permite presumir que a pontuação para o G-4 não será tão alta, mas não se pode afirmar que os 60 pontos sejam suficientes. A média estipula que o 'número mágico' é 63 pontos. Ou seja, 19 vitórias em casa e duas vitórias como visitante.

Para o Operário faltaria então 45 pontos (15 vitórias). Vale lembrar que a equipe alvinegra tem apenas mais 12 compromissos em casa. Nesse cenário, o Fantasma teria a necessidade de vencer todas no Germano Krüger e buscar ao menos nove pontos como visitante. Muita água para passar por essa ponte.

CASO PARTICULAR

Em 2012 houve uma situação atípica na Série B. O Vitória terminou na quarta colocação com 71 pontos, e o quinto, São Caetano, ficou com a mesma pontuação e não subiu por ter um triunfo a menos. Foi um caso único em 13 temporadas com esse formato. Naquele ano, todos os primeiros colocados sofreram menos de dez derrotas e empataram pouco ao longo da competição.

OPINIÃO

Particularmente penso que o Operário deve traçar primeiro a meta dos 48 pontos. É o número suficiente para a permanência na Série B e está em uma realidade mais próxima no momento. Resultados positivos dentro de casa bastam para que o clube tenha esse calendário garantido em 2020.

Isso não significa que a equipe deva jogar irresponsavelmente fora de casa, mas permite que eventuais tropeços derrubem uma carga menor de pressão sobre o elenco. Além disso, o técnico Gerson Gusmão poderá trabalhar com mais ambição como visitante desde que cumpra sempre os deveres no Germano Krüger.

É uma linha tênue diante de um campeonato tão equilibrado. Nos próximos dias vamos seguir analisando tabela e classificação da Segunda Divisão Nacional para evidenciar este contexto ao torcedor alvinegro.

* Foto: José Tramontin/OFEC

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Felipe Gustavo

FELIPE GUSTAVO

Jornalista formado pela UEPG em 2012, foi repórter de Esportes do Jornal da Manhã e setorista do Operário pelas rádios CBN e Difusora. Trabalhou no projeto Futsal Daqui, além de ter sido jornalista na Rádio MZ FM. Trabalha como assistente de produção na Rede Massa. É editor e comentarista no Net Esporte Clube.

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